O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) classificou como inadmissível a tentativa do governo dos Estados Unidos de colocar sob suspeita as urnas eletrônicas e os resultados das eleições brasileiras.
“Eu confio nas urnas eleitorais do Brasil. Também sempre concordei que cada eleição tivesse a presença de observadores de diferentes países, tantos quantos quisessem acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Mas considero inadmissível que qualquer país, incluindo os EUA, queira colocar em dúvida a lisura e os resultados das nossas eleições”, afirmou Caiado neste sábado (25), no X.
A manifestação ocorreu após a revelação de que o Departamento de Estado norte-americano pretendia enviar dois funcionários a Brasília para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral. O governo brasileiro negou os vistos de Riley Barnes e Samuel Samson na sexta-feira (24).
Caiado fez uma distinção entre o acompanhamento internacional, prática aceita e estimulada nas eleições brasileiras, e uma operação articulada por outro país para lançar dúvidas prévias sobre o processo. Para o goiano, observação externa não pode ser convertida em instrumento de pressão política.
A posição também distancia o pré-candidato do PSD da estratégia adotada por Flávio Bolsonaro (PL), que voltou a levantar suspeitas contra as urnas em encontro com diplomatas estrangeiros. Na ocasião, o senador relacionou os equipamentos brasileiros à empresa Smartmatic, informação negada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Caiado já havia criticado Flávio pelo uso do encontro com representantes de 42 países para atacar o sistema eleitoral. O ex-governador afirmou que a reunião poderia ter sido aproveitada para buscar investimentos, ampliar mercados e defender interesses econômicos do Brasil.
Lula reage e fala em soberania
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também reagiu neste sábado à movimentação norte-americana. Durante a convenção estadual do PT em São Paulo, Lula afirmou que o resultado da eleição será decidido exclusivamente pelos brasileiros.
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, declarou.
Lula vinculou o episódio à defesa da soberania nacional. “O aviso está dado. O Brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar”, disse. A declaração foi dada durante o evento que oficializou Fernando Haddad como candidato do PT ao governo de São Paulo.















