O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) começou a mobilizar sua rede política em favor de Daniel Vilela (MDB) justamente no maior colégio eleitoral de Goiás. Com 1.016.176 eleitores, Goiânia reúne praticamente 20% dos votos do Estado e foi peça importante na reeleição de Ronaldo Caiado em 2022, quando a força do MDB de Daniel se somou ao apoio do então prefeito Rogério Cruz para quebrar a velha resistência da capital ao “governador da vez”.
Na última eleição, Caiado, então governador e candidato à reeleição, recebeu 332.769 votos em Goiânia, 43,6% dos válidos, contra 237.899 de Gustavo Mendanha, 31,17%. No Estado, foi reeleito no primeiro turno com 1.806.892 votos, ou 51,81%.
A vitória na capital veio acompanhada de uma mudança importante no arranjo político de Caiado. Adversário de Daniel Vilela na eleição de 2018, o governador chegou a 2022 com o MDB incorporado à chapa e o próprio presidente estadual da legenda como candidato a vice. A aliança levou para o palanque uma militância construída durante décadas na capital.
Ao mesmo tempo, o então prefeito Rogério Cruz entrou de corpo inteiro na campanha e conduziu a maior parte do Republicanos para o apoio ao governador, em meio a uma disputa interna na legenda que se aproximava de Gustavo Mendanha, à época na oposição.
O movimento foi reconhecido publicamente pelo governador. “Prefeito Rogério Cruz, essa sua liderança no dia de hoje mostra para Goiás e o Brasil que quem tem voto na legenda está aqui do nosso lado”, afirmou Caiado em junho de 2022, durante ato com integrantes do Republicanos.
A Prefeitura, naturalmente, não explica sozinha o resultado, mas somou estrutura e mobilização justamente na cidade em que candidatos governistas historicamente encontravam mais resistência.
Mabel entra no jogo
Quatro anos depois, é Mabel quem ocupa o Paço Municipal e começa a desempenhar um papel forte no apoio à candidatura governista. Nesta primeira semana de campanha, o prefeito entrou na mobilização de Daniel em Goiânia e levou auxiliares para o adesivaço realizado no Serra Dourada. Ainda na pré-campanha, em entrevista à Tribuna do Planalto, já havia antecipado que participaria diretamente das campanhas de aliados que ajudaram sua gestão.
“A gente tem uma força política e vamos utilizar essa força política que nós temos para ajudar quem nos ajuda”, afirmou. Na mesma entrevista, disse que pretende “andar, fazer reuniões” e colocar parte de seu pessoal para ajudar a viabilizar candidatos com os quais assumiu compromissos.
A diferença em relação a 2022 é que Daniel não precisa receber a estrutura do MDB: ela já é sua. Mabel acrescenta ao palanque a Prefeitura, uma base expressiva na Câmara e uma rede de relações com deputados estaduais, federais e lideranças de diferentes partidos construída desde que assumiu o cargo.
Mabel sabe que não há transferência automática de votos de prefeito para governador, sobretudo em Goiânia, onde o eleitor já contrariou muitas vezes a lógica dos palanques. Mas ele aposta na capacidade de mobilização, presença territorial e influência sobre uma rede política que disputa voto todos os dias na capital.














