O PL de Goiás convocou a Comissão Executiva Estadual para discutir a situação do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, depois de ele declarar apoio à reeleição do governador Daniel Vilela (MDB). A reunião está marcada para quinta-feira (27) e pode resultar até na expulsão do prefeito dos quadros da legenda.
A reação ocorreu depois de Márcio subir ao palanque de Daniel no sábado (22), durante a inauguração de um comitê do MDB em Anápolis. O movimento colocou o prefeito em confronto aberto com a estratégia estadual do PL, que disputa o Palácio das Esmeraldas com o senador Wilder Morais.
“O lado certo tem coragem, gratidão e lealdade. Por isso, com muita tranquilidade, muita paz no coração e com o apoio de todo o nosso grupo político, venho dizer para vocês que continuo do lado certo. E meu lado certo hoje é estar com Daniel para governador”, afirmou.
Em nota, o PL sustentou que o apoio a um candidato adversário em uma eleição na qual o partido possui candidatura própria é vedado pelo estatuto e pode levar à aplicação de medidas disciplinares. A direção informou que Márcio terá direito à defesa antes de qualquer decisão.
A expulsão já vinha sendo defendida por integrantes da legenda desde sábado. Inicialmente, Wilder resistia a transformar o rompimento eleitoral em punição partidária. Com a convocação da Executiva, porém, a crise passou oficialmente para a esfera disciplinar. A campanha do senador informou que não comentará o episódio e que questões partidárias cabem à direção do PL.
A discussão ocorre justamente porque Márcio não é um filiado qualquer. Ele comanda Anápolis, terceiro maior colégio eleitoral de Goiás, e é o prefeito da maior cidade administrada pelo PL no Estado. Em 2024, foi eleito no segundo turno com 106.263 votos, ou 58,56% dos votos válidos.
A adesão também amplia o problema político para Wilder. Com Márcio, Daniel passou a reunir o apoio dos prefeitos das dez maiores cidades goianas. Anápolis tem 287.888 eleitores, segundo dados eleitorais citados pela campanha governista, e é um dos principais territórios em disputa nesta eleição.
Apesar do rompimento na disputa pelo governo, Márcio não abandonou completamente o PL. O prefeito mantém apoio ao deputado federal Gustavo Gayer (PL) para uma das vagas ao Senado. Para a outra cadeira, sinalizou apoio à ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil).













