O governador Ronaldo Caiado (UB), pré-candidato à presidência da República em 2026, vai atuar pessoalmente para que a convenção nacional do União Brasil, nesta terça-feira (19), em Brasília, defina de forma clara o rompimento da sigla com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro acontece pela manhã no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com a presença da primeira-dama Gracinha Caiado.
A defesa do desembarque não é novidade. No último dia 1º de agosto, ao participar do Debates O Globo, Caiado afirmou que o União Brasil deveria declarar uma “ruptura definitiva” com o governo Lula. Ele revelou ter conversado sobre o tema com o presidente nacional da sigla, Antônio Rueda, e foi taxativo: “Não dá mais para ficar em posição híbrida como permaneceu até hoje”.
A cobrança é reforçada por parlamentares ligados ao governador. O deputado federal Zacharias Calil (UB-GO) foi direto ao ponto em entrevista ao Giro, do jornal O Popular: “A gente é de direita e fica apoiando o governo? Que negócio é esse? Não tem condição ficar com o governo federal se temos um pré-candidato a presidente da República, que é o governador Ronaldo Caiado. Tem de ser imediato. Eu defendo que já nesta convenção o desembarque aconteça.”
Ministros no fogo cruzado
Atualmente, o União Brasil controla três ministérios. O principal foco de tensão é o Turismo, comandado por Celso Sabino, único ministro filiado de fato ao partido. Ele não demonstra qualquer intenção de deixar o cargo. Pelo contrário: está no centro da força-tarefa do governo para organizar a COP30, em Belém, e tem em mãos a missão de resolver um dos problemas mais sensíveis do evento, o preço abusivo das hospedagens.
Os outros dois ministros ligados ao União Brasil são indicações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma das principais vozes contrárias ao desembarque imediato. A manutenção desses espaços no governo pode levar o partido a adiar uma decisão definitiva, apesar da pressão da ala goiana e do próprio Caiado.
Na parte da tarde, no mesmo local, União Brasil e Progressistas lançarão oficialmente a Federação União Progressista (UPb). O bloco nasce com 109 deputados federais e 15 senadores, tornando-se a maior força do Congresso Nacional. Para Rueda, a federação “não é apenas a soma de duas siglas, é a bússola ao centro da política brasileira”, com a missão de destravar o país e liderar um “Choque de Prosperidade”.












