O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) enfrentou uma sabatina marcada por cobranças sobre suas propostas econômicas na noite desta terça-feira (25), na TV Globo. Candidato à Presidência da República, ele chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “grande agiota” e evitou citar nominalmente o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário no campo da direita.
Entrevistado pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, Caiado foi pressionado principalmente quando questionado sobre como pretende fazer o ajuste das contas públicas, ampliar a oferta de crédito e lidar com as despesas previdenciárias caso seja eleito.
Ao ser cobrado sobre quais gastos pretende cortar e se considera alterar a idade mínima para aposentadoria, Caiado evitou detalhar as medidas. “Não tenho condição de detalhar minúcias”, respondeu. O candidato disse que pretende limitar o crescimento das despesas públicas a 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com correção pela inflação, por meio de uma emenda constitucional apresentada no início de um eventual governo.
A discussão sobre crédito abriu espaço para um dos ataques mais duros da entrevista. Caiado criticou o Desenrola, programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas, e responsabilizou Lula pelo nível de endividamento da população. “Quando ele fala no Desenrola, ele é que te enrolou. O Lula é que te enrolou. O Lula passou a ser o grande agiota no Brasil”, afirmou.
Caiado também voltou suas críticas para Flávio Bolsonaro, mas sem mencionar o nome do senador. Em dois momentos, referiu-se ao adversário como “o outro que já teve oportunidade de ter um mandato e perdeu a eleição”, numa referência ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.
A estratégia repete um movimento adotado pelo goiano nas últimas semanas. Caiado tenta se apresentar como uma alternativa tanto a Lula quanto ao grupo político de Bolsonaro, embora Flávio esteja hoje muito à frente do pessedista entre os candidatos que disputam o eleitorado de direita.
Na pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (21), Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 33%. Caiado registra 5%, seguido por Renan Santos (Missão), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 3%.
Na sabatina, Caiado também defendeu anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo Jair Bolsonaro. Ele comparou a proposta à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou as condenações de Lula na Operação Lava Jato. A comparação foi contestada durante a entrevista porque o presidente não foi anistiado: as condenações foram anuladas por questões processuais.
Na área da segurança pública, o ex-governador voltou a defender a criação da chamada SulPol, uma estrutura de cooperação entre as forças policiais brasileiras e de países vizinhos nos moldes da Europol. Também acusou o governo federal de falhar no combate ao narcotráfico.
No fim da entrevista, Caiado pediu ao STF que retire os sigilos de investigações relacionadas ao INSS e ao Banco Master. Segundo ele, as informações precisam ser conhecidas antes da votação para que o eleitor não seja “surpreendido” durante a eleição.
A sabatina faz parte da série de entrevistas da Globo com os candidatos à Presidência. Caiado foi o segundo entrevistado, depois do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema. Nesta quarta-feira (26), será a vez de Renan Santos. Lula participa na quinta (27), Flávio Bolsonaro na sexta (28) e Augusto Cury (Avante) no sábado (29).















