Goiás chega às eleições de 2026 com resultados históricos no Ideb, mas sem repetir a liderança nacional alcançada em 2023. Embora os índices tenham avançado nos anos iniciais e finais, o ensino médio permaneceu em 4,8. Mais do que disputar posições em um ranking, o desafio é garantir que os indicadores estejam a serviço de uma educação que forme, inclua e ofereça oportunidades. Aos candidatos cabe o desafio de não apenas elevar as notas, mas recuperar competitividade e enfrentar problemas que o Ideb não traduz na educação, como desigualdades, inclusão, permanência e formação profissional.
Os planos de governo partem de uma rede com avanços nos indicadores, mas que ainda enfrenta desafios para transformar resultados em aprendizagem, permanência e oportunidades. Os seis candidatos convergem em temas como aprendizagem, ensino integral, valorização profissional, educação profissional e tecnologia, mas apresentam visões distintas sobre prioridades e o papel do Estado na educação.
Do resultado à aprendizagem
O plano de Daniel Vilela (MDB), candidato que disputa reeleição, é o que mais explicitamente constrói sua proposta a partir da ideia de continuidade. O documento apresenta como ponto de partida os avanços recentes de Goiás em educação, incluindo aumento da presença de jovens de 15 a 17 anos no ensino médio, expansão das matrículas em tempo integral e crescimento da proporção de professores com formação adequada à disciplina lecionada.
A proposta é avançar sobre essa estrutura. Entre as prioridades estão a primeira infância, alfabetização, recomposição das aprendizagens e cooperação entre Estado e municípios. O plano estabelece como objetivo que 100% das crianças sejam alfabetizadas na idade certa, com formação continuada de professores, apoio técnico às redes municipais e mecanismos de monitoramento.
O tempo integral aparece como outra frente de expansão, associado a infraestrutura, conectividade, alimentação, transporte, formação docente, projeto de vida e educação profissional. A proposta também incorpora uma agenda que ganhou força na educação brasileira, a inteligência artificial. O plano prevê internet de alta velocidade, equipamentos, uso pedagógico de IA, diagnóstico de defasagens, formação em letramento digital e robótica educacional.
Wilder mira resultado, gestão e correção de defasagens
Wilder Morais (PL) coloca a gestão dos resultados no centro da proposta, com foco em alfabetização, Língua Portuguesa e Matemática, diagnóstico individual, recuperação da aprendizagem e acompanhamento dos estudantes.
Para o ensino integral, o plano prevê expansão conforme demanda, infraestrutura e resultados, com prioridade para regiões vulneráveis e maior transparência sobre vagas, frequência, aprendizagem, abandono e custo por aluno. Na primeira infância, propõe o Cartão Creche para financiar vagas em municípios com fila comprovada.
O programa também prevê educação inclusiva, com intérpretes, cuidadores, mediadores e atendimento especializado, além de educação profissional alinhada às vocações regionais e parcerias com IFs, Sistema S e UEG. Na tecnologia, defende o uso responsável da inteligência artificial, com formação docente, proteção de dados e supervisão humana.
Marconi combina legado, carreira e educação profissional
O plano de Marconi Perillo (PSDB) também parte da aprendizagem como eixo. A proposta prevê alfabetização, recomposição das aprendizagens, combate à distorção idade-série, correção de fluxo e metas progressivas para indicadores educacionais.
A diferença está no peso atribuído à carreira dos profissionais. O programa prevê concursos públicos, formação continuada e fortalecimento das carreiras, além da retomada da titularidade dos professores.
Outro eixo forte é a conexão entre escola e mercado de trabalho. O plano propõe fortalecer ITEGOs, COTECs e Escolas do Futuro e criar o Programa Aluno Empregado, voltado à primeira experiência profissional dos estudantes do ensino médio.
Na educação superior, uma proposta chama atenção pelo grau de objetividade, restabelecer a vinculação constitucional de 2% da receita estadual para a UEG, além de ampliar unidades e cursos.
Luis Cesar coloca a escola integral no centro
Entre os candidatos, Luis Cesar Bueno (PT) apresenta a meta física mais clara para a expansão do ensino integral. O programa Goiás Escola do Futuro prevê chegar a 350 a 370 escolas estaduais de tempo integral, o que representaria entre 90 e 110 novas unidades ou conversões ao longo do mandato.
A proposta vai além da ampliação da jornada. Prevê escolas com laboratórios, bibliotecas, quadras, conectividade, acessibilidade e três refeições. A educação profissional seria integrada ao ensino médio e vinculada às características econômicas de cada região.
O plano também estabelece conexão direta com universidades como UEG, UFG, UFCAT, UFJ, IFG e IF Goiano para ampliar acesso a laboratórios, iniciação científica, robótica, programação, inteligência artificial e empreendedorismo.
É, portanto, uma proposta em que tempo integral funciona como eixo estruturante, não apenas como ampliação da jornada escolar.
UP e PCO propõem ruptura
Na outra ponta do espectro estão Luciana Amorim e Danilo Pinheiro, respectivamente da Unidade Popular e do PCO, com propostas mais marcadas por mudanças estruturais.
A candidata Luciana (UP) defende um Plano Estadual da Escola Básica Integral, novos concursos, plano de carreira e maior investimento na UEG. Também propõe interromper a militarização e promover a desmilitarização dos colégios estaduais. O programa prevê ainda expansão da rede pública, COTECs e Escolas do Futuro, sobretudo nas periferias e no interior.
Creches em tempo integral, expansão da EJA, educação inclusiva, Libras, profissionais especializados e fortalecimento da participação estudantil completam a agenda. A proposta se distancia dos demais programas ao colocar a expansão direta da rede pública e a desmilitarização como elementos centrais.
Já Danilo Pinheiro (PCO) apresenta a ruptura mais profunda. O partido defende aumento das verbas públicas para educação, destinação exclusiva de recursos públicos ao ensino público, fim dos vestibulares e livre ingresso nas universidades. Também propõe piso de pelo menos R$ 8,5 mil para professores, jornada máxima de 30 horas, eleição direta para diretores e gestão das universidades com participação de estudantes, professores e funcionários.
Entre avanços e desafios, o que os planos entregam
Considerando os planos e a realidade educacional de Goiás, Daniel Vilela aposta na continuidade, mas detalha menos como enfrentar gargalos como o ensino médio. Wilder Morais concentra-se em gestão e resultados, com menor atenção às desigualdades sociais e territoriais. Marconi Perillo reúne aprendizagem, carreira, educação profissional e UEG, mas deixa algumas metas pouco definidas. Luís César Bueno estabelece a meta mais concreta, de 350 a 370 escolas integrais, mas depende de estrutura, profissionais e recursos para viabilizar a expansão.
Luciana Amorim prioriza rede pública, creches, inclusão, carreira e desmilitarização, porém apresenta menos indicadores para dimensionar execução e prazos. Caymmi Henrique propõe mudanças mais estruturais em financiamento, gestão e ensino superior, mas com desafios de viabilidade administrativa e fiscal.
No conjunto, nenhum dos planos resolve sozinho os principais desafios da educação goiana. A realidade revelada pelo Ideb exige ir além da disputa por posições no ranking. Goiás precisa sustentar os bons resultados do ensino fundamental, destravar o desempenho do ensino médio, reduzir desigualdades entre municípios e estudantes, ampliar a educação infantil, garantir inclusão e preparar o jovem para continuar estudando ou ingressar no mundo do trabalho. É justamente nessa distância entre promessa e capacidade de execução que estará uma das principais questões da eleição de 2026.













