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Centrão reconhece resultado da eleição e abre negociação com Lula

Partidos sinalizam diálogo com o Planalto, mas mantêm ressalvas sobre apoio à agenda do próximo mandato


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 27/10/2026 - 16:02

PSD Gilberto Kassab
Gilberto Kassab, fundador do PSD e um dos principais articuladores do centrão (Foto: Divulgação)

Partidos do centrão reconheceram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e abriram espaço para negociar a relação com o governo após a disputa de domingo (25). As manifestações deslocam a discussão para a formação da base parlamentar, embora ainda não representem adesão à agenda do próximo mandato.

O movimento reduz o espaço político para a contestação eleitoral defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Siglas que reuniram apoiadores do candidato derrotado passaram a tratar o resultado como definido e a defender interlocução com o Planalto.

No PSD, o presidente nacional, Gilberto Kassab, cumprimentou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A legenda sinalizou disposição para apoiar iniciativas relacionadas ao equilíbrio fiscal, à redução das desigualdades e à geração de empregos, preservando margem para avaliar as propostas do Executivo.

O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), cobrou atenção também aos brasileiros que escolheram o adversário do petista. Lula deve governar “inclusive” para “os que votaram em Flávio Bolsonaro, com respeito às diferenças e diálogo com o Congresso Nacional”, afirmou.

O MDB pediu serenidade e uma gestão voltada a todos os brasileiros. O Podemos também reconheceu a vitória, mas registrou que manterá independência no Legislativo. As manifestações convergem na defesa do diálogo, sem anunciar uma composição conjunta com o governo.

No União Brasil, o presidente nacional, Antonio Rueda, defendeu o respeito ao resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. O líder da bancada na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA), também cumprimentou o presidente e pediu que as divergências políticas não se sobreponham aos interesses nacionais.

O PSDB adotou posição semelhante sobre o desfecho eleitoral. Em nota assinada pelo presidente nacional, Aécio Neves, a legenda reconheceu a escolha dos eleitores e cobrou união, respeito às diferenças e respostas aos problemas do país.

O teste para a aproximação estará nas votações. A agenda citada nas articulações inclui medidas fiscais e a PEC da Segurança Pública, ainda nesta legislatura. Para Lula, transformar reconhecimento eleitoral em votos no Congresso exigirá negociar o conteúdo das propostas e as condições de apoio de cada partido.

 

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