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Chuvas fora de época elevam risco de dengue e chikungunya em Goiás

Secretaria da Saúde de Goiás alerta para risco de aumento de dengue e chikungunya após chuvas fora de época; sorotipo DEN-3 já responde por 53,8% das amostras


Fábio Prado Por Fábio Prado em 10/09/2026 - 16:42

Goiás alerta para risco de aumento de dengue e chikungunya após chuvas fora de época. Sorotipo DEN-3 representa 53,8% das amostras e preocupa autoridades.
Chuvas fora de época elevam risco de dengue e chikungunya em Goiás - Foto: Reprodução/Internet

Secretaria da Saúde alerta para avanço do sorotipo DEN-3, que já representa 53,8% das amostras positivas analisadas neste ano e pode ampliar o número de pessoas suscetíveis à doença.

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) alerta para o risco de aumento dos casos de dengue, zika e chikungunya após as chuvas registradas em diferentes regiões do estado. Associadas às altas temperaturas e ao fenômeno El Niño, as precipitações favorecem a eclosão dos ovos do Aedes aegypti e podem antecipar o período de maior transmissão das arboviroses.

Além das condições climáticas, a SES acompanha uma mudança no perfil de circulação do vírus da dengue. Dos quatro sorotipos existentes, DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, os tipos 1 e 2 predominaram em Goiás nos últimos anos. Em 2026, no entanto, o DEN-3 passou a responder por mais da metade das amostras positivas monitoradas pela vigilância laboratorial no estado.

Análises realizadas pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen) mostram que o DEN-3 representa 53,8% das amostras positivas identificadas neste ano, ante 45,8% do DEN-2. A mudança fica evidente na comparação com períodos anteriores. Em 2025, o DEN-2 correspondia a 87,4% das amostras analisadas. Em 2024, esse sorotipo representava 74,7%, enquanto o DEN-1 respondia por 25,2%. Já em 2023, o DEN-1 concentrava 95,4% das análises.

A circulação do DEN-3 amplia a parcela da população suscetível à infecção, uma vez que pessoas que já tiveram contato com os sorotipos 1 ou 2 desenvolveram imunidade específica contra esses tipos, mas não necessariamente contra o DEN-3.

“É como se a população estivesse acostumada a enfrentar um adversário conhecido, o DEN-2, mas agora surge um adversário diferente, o DEN-3, e, como muitas pessoas não têm defesa específica contra ele, é possível que tenhamos um aumento de pessoas adoecendo com dengue com possibilidade de agravamento dos sintomas e óbitos”, alerta a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES, Flúvia Amorim.

Cenário epidemiológico

Goiás contabiliza 158.461 notificações e 103.213 casos confirmados de dengue em 2026, número 16% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Até o momento, foram confirmadas 81 mortes pela doença, enquanto outras 31 permanecem sob investigação.

A chikungunya também registra crescimento. O estado soma 13.317 notificações e 11.223 confirmações, alta de 356% em relação ao mesmo período do ano anterior. Cinco mortes provocadas pela doença foram confirmadas em 2026.

No fim de agosto, a SES encaminhou aos municípios orientações previstas em uma Nota Informativa. O documento trata dos riscos à saúde relacionados a ondas de calor, temperaturas acima da média, baixa umidade relativa do ar e maior possibilidade de queimadas e incêndios florestais.

Cuidados em casa

A eliminação de locais que acumulam água continua como uma das principais medidas de prevenção contra o Aedes aegypti. A orientação é recolher e descartar corretamente pneus, embalagens e outros materiais que possam servir de criadouro, além de manter limpos baldes, pratos de plantas, vasos sanitários sem uso e recipientes de água destinados aos animais.

Também é necessário lavar com água e sabão as bordas dos objetos que armazenam água, onde os ovos do mosquito podem permanecer aderidos. Com o retorno das chuvas, a recomendação é intensificar a limpeza de calhas e quintais, retirar resíduos descartados em locais inadequados e verificar terrenos e lotes.

Recipientes utilizados para armazenar água da chuva devem permanecer tampados para impedir o acesso do mosquito ao interior dos reservatórios. A SES orienta que a vistoria nos imóveis faça parte da rotina das famílias, principalmente após períodos de chuva.

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