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“Cobre do Meu Pai” leva memória e autoficção a cidades goianas

Espetáculo de Hélio Fróes circula por Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Hidrolândia em agosto, com apresentações gratuitas e oficinas de teatro


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 11/08/2026 - 14:15

Espetáculo mistura memória, humor e autoficção para refletir sobre relações familiares, identidade e as marcas deixadas entre gerações. Foto: Layza Vasconcelos

Um tapete circular de couro, um tacho de cobre centenário e as memórias de uma relação entre pai e filho dão forma ao espetáculo “Cobre do Meu Pai”, do ator, dramaturgo e diretor Hélio Fróes. A montagem segue em circulação por Goiás durante o mês de agosto, com apresentações gratuitas em Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Hidrolândia, além de oficinas de teatro abertas ao público.

A primeira parada será em Aparecida de Goiânia, nos dias 14 e 15 de agosto, às 19h30, no Teatro Cidade Livre. No dia 15, às 8h30, Fróes também ministra uma oficina gratuita de Introdução ao Teatro. A programação segue para Senador Canedo, nos dias 21 e 22, às 19h30, durante a Feira Criativa Morada do Morro.

A etapa de agosto termina em Hidrolândia, no dia 29, dentro da programação do Festival Hidroencena. A oficina de teatro será realizada às 10h20, seguida pela apresentação do espetáculo, às 14h, no Cine Grimpas.

Não é necessário retirar ingressos antecipadamente para as apresentações. As oficinas são gratuitas, têm quatro horas de duração e são destinadas a pessoas com 14 anos ou mais. Cada cidade terá 15 vagas.

Memória como matéria-prima

Com direção de Fernanda Pimenta, “Cobre do Meu Pai” parte de experiências pessoais de Hélio Fróes para construir uma narrativa que mistura memória, autoficção e fabulação. No palco, o artista revisita a relação com o pai e as diferentes imagens construídas sobre essa figura ao longo da vida.

A montagem aborda temas como identidade, masculinidades, patriarcado e heranças afetivas, mas parte de uma experiência particular para alcançar questões que podem ser reconhecidas por diferentes gerações.

O espetáculo marcou o retorno de Fróes aos palcos após 12 anos. Nesse período, o artista se dedicou principalmente à docência e à produção audiovisual. Também enfrentou a perda do pai para o câncer e, posteriormente, viveu a própria experiência com a doença.

O retorno ao teatro transformou esse percurso em matéria artística. Em cena, a relação familiar aparece sem a preocupação de construir uma memória idealizada. A figura paterna, inicialmente associada à imagem heroica da infância, ganha novas camadas à medida que o personagem revisita lembranças, contradições e silêncios.

Um palco quase vazio

A cenografia de “Cobre do Meu Pai” segue uma proposta minimalista. Dois elementos concentram a atenção do público: um tapete circular de couro e um tacho de cobre de cem litros.

O objeto funciona como símbolo da memória e da herança familiar. Ao longo da narrativa, o tacho também assume diferentes significados e se relaciona aos segredos, lembranças e marcas deixadas entre gerações.

O próprio título da montagem trabalha com o duplo sentido da palavra “cobre”, que pode funcionar tanto como substantivo, relacionado ao metal, quanto como verbo. A partir desse jogo, o espetáculo constrói uma narrativa sobre aquilo que se herda, aquilo que permanece e aquilo que precisa ser confrontado.

Teatro fora dos grandes circuitos

A circulação estadual foi estruturada para levar o espetáculo a municípios que nem sempre integram os principais circuitos de produção teatral em Goiás. Ao todo, serão 20 apresentações gratuitas em dez cidades, entre julho e outubro.

Antes da etapa de agosto, “Cobre do Meu Pai” passou por Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Olhos d’Água e Formosa. Depois de Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Hidrolândia, a circulação segue, em setembro, para Catalão e Campo Alegre de Goiás, antes de chegar a Luziânia, em outubro.

Para Hélio Fróes, descentralizar o acesso às artes cênicas é parte importante do projeto.

“Nossa proposta é romper com a concentração da produção artística em polos já consolidados, como Anápolis, Cidade de Goiás e Pirenópolis. Queremos levar o teatro para cidades que, muitas vezes, ficam fora desses circuitos e proporcionar experiências artísticas de qualidade para novos públicos.”

Além das apresentações, as oficinas ampliam a proposta de formação. Os encontros trabalham fundamentos de interpretação, expressão corporal, voz e presença cênica, criando um primeiro contato com a linguagem teatral.

A circulação de “Cobre do Meu Pai” é realizada com patrocínio do Supermercado Leve, por meio da Lei Goyazes, do Governo de Goiás e da Secretaria de Estado da Cultura. A produção é da Dias e Melo Assessoria Cultural.

Serviço

Cobre do Meu Pai – Aparecida de Goiânia
14 de agosto, às 19h30
15 de agosto, às 19h30
Teatro Cidade Livre
Entrada gratuita

Oficina de Teatro
15 de agosto, às 8h30
15 vagas | a partir de 14 anos

Cobre do Meu Pai – Senador Canedo
21 e 22 de agosto, às 19h30
Feira Criativa Morada do Morro
Entrada gratuita

Cobre do Meu Pai – Hidrolândia
29 de agosto, às 14h
Cine Grimpas
Entrada gratuita

Oficina de Teatro
29 de agosto, às 10h20
15 vagas | a partir de 14 anos

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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