O Coliseu romano ganhou uma espécie de “gêmeo digital”, modelo em 3D que reúne informações sobre a estrutura, os materiais, as técnicas de construção, as transformações históricas e o estado de conservação do monumento. O projeto foi apresentado pelo arquiteto italiano Marcello Balzani durante a 7ª Conferência FAPESP 2026, em 25 de setembro.
Desenvolvido pela equipe do Parque Arqueológico do Coliseu, o sistema combina escaneamento a laser, fotogrametria e a tecnologia HBIM, utilizada para a modelagem de edificações históricas. Mais do que reproduzir visualmente o anfiteatro, a ferramenta funciona como uma grande base de dados para orientar ações de conservação.
O levantamento utilizou mais de 200 mil fotografias e gerou cerca de 109 bilhões de pontos. O modelo reúne aproximadamente 27 mil objetos digitais, entre paredes, arcos, pilares e abóbadas, que podem ser relacionados a informações sobre materiais, cronologia, técnicas construtivas e estado de conservação.
Tecnologia para prevenir danos
A principal função do modelo é permitir o acompanhamento do monumento ao longo do tempo. Novos levantamentos poderão ser incorporados ao sistema e comparados com registros anteriores para identificar a evolução de fissuras, deformações e alterações nos materiais.
A tecnologia também já utiliza inteligência artificial para auxiliar no reconhecimento e na classificação de materiais. A análise dos dados, porém, continua dependendo de especialistas de áreas como arqueologia, engenharia, arquitetura, restauração e história.
O sistema também está sendo utilizado para estudar a vulnerabilidade estrutural do Coliseu, inclusive diante do risco sísmico. Segundo Balzani, o Ministério da Cultura italiano encarregou uma equipe de utilizar os dados do levantamento para desenvolver um modelo capaz de avaliar o comportamento da construção e identificar possíveis riscos.
Coliseu tem quase 2 mil anos
Construído a partir de 70-72 d.C. e inaugurado em 80 d.C., durante o Império Romano, o Coliseu podia receber cerca de 50 mil espectadores. O anfiteatro permaneceu em funcionamento por mais de quatro séculos e passou por diferentes transformações ao longo de sua história.
Um terremoto ocorrido em 1349 provocou o desabamento de parte importante da estrutura. Ao longo dos séculos, outras áreas também foram modificadas ou tiveram elementos retirados e reutilizados em construções de Roma. Por isso, o monumento atual reúne marcas de diferentes períodos históricos.
O projeto digital pretende justamente registrar essas transformações e permitir que novas informações sejam incorporadas continuamente. O Coliseu recebe atualmente cerca de 30 mil visitantes por dia, enquanto trabalhos de manutenção e conservação continuam sendo realizados no complexo.
Para os pesquisadores, o chamado “gêmeo digital” representa uma mudança importante: o modelo deixa de ser apenas uma reprodução virtual do Coliseu e passa a funcionar como uma ferramenta para monitorar a estrutura, planejar a manutenção e antecipar riscos, ajudando a preservar o monumento para as próximas gerações.
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