O comércio varejista em Goiás enfrenta um cenário ímpar às vésperas das principais datas do calendário de consumo. Ao contrário do que acontece nesta época do ano, quando as contratações temporárias ganham protagonismo, o setor agora concentra esforços na ocupação de mais de 5 mil vagas efetivas que seguem abertas em todo o estado.
A corrida contra o tempo já começou. Com o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal no horizonte, lojistas buscam preencher postos de trabalho essenciais para o atendimento ao público. As oportunidades estão distribuídas em funções como operador de caixa, atendente, estoquista, vendedor, gerente de vendas, empacotador e auxiliar administrativo. O problema é que, mesmo diante da oferta expressiva, os candidatos não aparecem na mesma proporção.
De acordo com o presidente do Sindilojas-GO, José Reginaldo Garcia, a situação é preocupante e reflete um apagão de mão de obra que vem se intensificando nos últimos anos. “Hoje, os lojistas vivem uma verdadeira disputa para conseguir contratar. São milhares de vagas disponíveis, principalmente em lojas de shopping centers, e a dificuldade é encontrar pessoas interessadas em preenchê-las”, destaca.
Garcia aponta que, para muitas empresas, manter o quadro de funcionários estável até o fim de 2025 já seria considerado um grande avanço diante do desafio atual. O paradoxo é que, embora Goiás registre um dos menores índices de desemprego da última década — apenas 4,8% no quarto trimestre de 2024, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) —, o varejo segue enfrentando gargalos significativos para contratar.
Segundo o dirigente, a dificuldade tem múltiplas causas: o envelhecimento da população, o crescimento do número de jovens com ensino superior que buscam novas áreas profissionais, a expansão de setores que disputam a mesma mão de obra e até mudanças de comportamento aceleradas pela pandemia. “O conceito de vida mudou, e isso se reflete diretamente na disposição das pessoas em buscar empregos no comércio”, avalia.
Uma das soluções sugeridas pelo setor seria a criação de mecanismos que permitam conciliar programas de transferência de renda com a formalização no mercado de trabalho. A ideia, segundo Garcia, seria autorizar que beneficiários mantenham parte dos auxílios por um período após a contratação, garantindo estabilidade financeira até que consigam se firmar no novo emprego.
Enquanto isso, o varejo segue em busca de estratégias para evitar que a escassez de trabalhadores comprometa o desempenho nas datas mais aguardadas do ano. Afinal, é nesse período que muitos lojistas concentram grande parte do faturamento anual.















