Pentágono consumiu cerca de 65% dos mísseis Patriot; reposição completa pode levar até 2029, em meio a alertas sobre capacidade de dissuasão diante da China.
Os ataques dos Estados Unidos contra o Irã expuseram um problema estratégico para o Pentágono: a queda nos estoques de munições e a dificuldade de repor armamentos em meio a conflitos de alta intensidade. A guerra consumiu parte importante dos arsenais americanos. Segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o número de unidades do sistema de defesa Patriot disponíveis caiu de 2.330 antes do conflito para entre 759 e 827 em julho . Os sistemas THAAD também sofreram redução, de 452 para cerca de 250 interceptadores.
A reposição pode levar anos: os estoques de Patriot só devem retornar ao nível anterior à guerra em 2029, enquanto mísseis Tomahawk podem levar até cinco anos para serem recompostos . O Pentágono já consumiu mais de 1.000 mísseis Tomahawk na guerra, número que equivale a cerca de dez vezes a compra anual . A produção atual de interceptadores Patriot é de aproximadamente 650 unidades por ano, e a expansão para 2.000 unidades, prevista pela Lockheed Martin para 2030, ainda levará anos para entrar em operação.
Especialistas apontam que décadas de preparação para conflitos menores deixaram os EUA menos preparados para guerras prolongadas. A indústria de defesa operava com encomendas adequadas a guerras limitadas, e a transição para conflitos de alta intensidade expôs gargalos na cadeia de suprimentos . O coronel da reserva Paulo Filho destacou que “a redução dos estoques representa uma vulnerabilidade específica e circunstancial, capaz de afetar os cálculos estratégicos americanos e a percepção de seus adversários”.
O alerta ganha ainda mais peso diante da crescente capacidade militar da China. Analistas chineses já questionam a capacidade dos EUA de defender Taiwan após o desgaste no Oriente Médio, argumentando que o esgotamento “diminuiu de forma significativa a capacidade militar dos EUA de projetar seu poder de combate” . O governo Trump, por sua vez, busca acelerar a recomposição com um orçamento recorde de US$ 1,5 trilhão para 2027 e um contrato de até US$ 58,6 bilhões com a Lockheed Martin para a produção de mísseis Patriot.
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