Skip to content

Congresso da UNE tem discurso único em defesa de Lula e de agenda progressista

Pregando para convertidos, oradores do congresso estudantil reforçam pautas do governo e miram protagonismo nas eleições de 2026


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 17/07/2025 - 14:26

Lula UNE
Nenhum representante do Governo de Goiás participou do evento; reitores de universidades estaduais enfileiraram apoios. Foto/reprodução: Instagram

O 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado nesta quinta-feira (17) em Goiânia, envolveu ministros e estudantes em defesa do projeto político de Lula (PT) e das pautas consideradas prioritárias para o governo, com vistas às eleições de 2026. Sem representantes de outra ala ideológica, Lula pregou para convertidos.

Mais investimento e maior autonomia financeira para a educação, redução da jornada de trabalho, a justiça tributária — com aumento de impostos para super-ricos, e a defesa da soberania brasileira diante da taxação do presidente norte-americano Donald Trump, foram explorados em detalhes por todos os oradores.

Vestido de camisa vermelha e com boné azul da UNE com inscrição “Brasil soberano nos une”, Lula manifestou gratidão à entidade pelo alinhamento durante os governos petistas e disse que em outros governos não havia sequer abertura para o diálogo. Ele também incentivou os estudantes a serem proativos e a conversarem sobre política, sobretudo, com os mais jovens.

“Vocês tiveram, no governo do Lula e no governo da Dilma, uma coisa que nenhum outro estudante teve na história desse país. Então, é importante que vocês, ao sair daqui, comecem a pensar o que vocês querem a partir de 2026”, pontuou.

Diálogo contra manipulação

Em tom de alerta, Lula chamou atenção para os riscos da manipulação digital e da desinformação nas eleições. Disse que a juventude é vulnerável à máquina das big techs e defendeu que os estudantes ajudem a distinguir mentira e verdade nas redes.

“Não quero uma sociedade de algoritmos, quero uma sociedade humanista”, afirmou, ao pedir que a UNE vá além do ambiente universitário e proponha ações nas periferias e ajude a recuperar o senso de comunidade dos brasileiros.

O presidente questionou a eficácia da mensagem da esquerda que é levada à população e cobrou a eleição de deputados e senadores em 2026. “A gente acha que o nosso discurso é o verdadeiro. Mas será que o povo está nos compreendendo? Será que o povo está nos entendendo? Porque uma estratégia pra gente poder aprovar tudo o que a gente quer é a gente ter maioria no Congresso Nacional.”, apontou.

“A esquerda toda que tá aqui não tem mais do que 140 deputados no Congresso Nacional, de um total de mais de 513 deputados. Você tem que lembrar disso. Você tem que lembrar que nós, dentro do PT, hoje temos 12 senadores em 81. E pra gente aprovar alguma coisa, você tem que ter pelo menos metade.”

Convertidos

O evento contou com autoridades do governo federal e parlamentares do PT e não agregou autoridades de outra ala ideológica, como representantes do Governo do Estado. Discursaram as ministras Margareth Menezes (Cultura) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), além dos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Camilo Santana (Educação), que fez o maior discurso entre os colegas.

Santana usou seu discurso para contrapor diretamente as gestões anteriores à do presidente Lula, acusando o governo de Jair Bolsonaro (PL) de destruir o Ministério da Educação, cortar verbas e silenciar o diálogo com estudantes e professores.

Ao mesmo tempo, exaltou Lula como “o presidente da juventude e da educação”, atribuindo-lhe os avanços recentes na pasta, como o aumento de orçamento, a valorização das bolsas e servidores, a retomada de obras e a expansão da rede federal.

No geral, as pronúncias de todos os ministros presentes focaram em denunciar o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, que chamaram de “chantagem” e uma interferência velada movida por interesses econômicos e políticos. Eles também fizeram defesas de bandeiras caras à esquerda, como justiça tributária e inclusão de minorias políticas no orçamento público.

Com fala alinhada com o governo federal, a presidente da UNE, Manuella Mirella, abordou os mesmos temas. “Gritamos cadeia para Bolsonaro e seus comparsas. Sem anistia para quem ataca a democracia”, pediu. Ela também enalteceu pautas sociais e protestou contra Trump.

“Nós, estudantes brasileiros, reafirmamos que a nossa bandeira não é azul, branco e vermelha. A nossa bandeira é verde e amarela, e América, só se for América Latina”, protestou a presidente da UNE.

 

Lula se reúne com estudantes vítimas de acidente na BR-153

Pesquisa