O contrato do Consórcio Limpa Gyn para a coleta de lixo e parte dos serviços de limpeza urbana de Goiânia acumula aumento estimado de 14,2% desde sua assinatura, em março de 2024, devido a três alterações contratuais. O reajuste mais recente foi autorizado por meio do terceiro termo aditivo, publicado nesta quinta-feira (26), que aplica a recomposição inflacionária de 5,32% pelo IPCA.
Com as atualizações, o custo do serviço deve alcançar cerca de R$ 537 milhões pelos próximos 12 meses, ante os R$ 470,3 milhões originalmente contratados pela administração do ex-prefeito Rogério Cruz (SD).
O percentual de 14,2% decorre das três alterações feitas no contrato da concessionária de limpeza urbana. Assinado em março de 2024 por R$ 470,3 milhões, o acordo recebeu um primeiro aditivo de R$ 13,8 milhões para reprogramação de custos em dezembro naquele ano. Em 2025, um segundo termo repactuou os salários dos coletores, com impacto de R$ 8,9 milhões, e fixou o valor global em R$ 509,9 milhões.
Agora, o terceiro termo aplica a reposição inflacionária de 5,32% pelo IPCA sobre esse montante, acrescentando cerca de R$ 27 milhões e elevando o custo estimado para R$ 537 milhões. As correções inflacionárias e salariais estão previstas no contrato, que abarca a coleta de lixo e recicláveis, varrição mecanizada, remoção de entulho e “cata-treco”.
Além deste, a Prefeitura de Goiânia mantém outro contrato com a Comurg para a execução de serviços distintos, como poda de árvore e grama, varrição manual, manutenção de praças e outros itens. O contrato com a empresa subiu para R$ 621,5 milhões em 2026.
CEI descarta irregularidades
No ano passado, o contrato com o Consórcio Limpa Gyn foi alvo de disputa política entre vereadores e o Paço Municipal, com a instauração da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpeza Urbana. À época, a Tribuna do Planalto mostrou que a investigação foi articulada em meio às críticas da população à qualidade do serviço e a pressões por maior transparência na execução contratual.
O relatório final, porém, não apontou irregularidades ou desvios de recursos, limitando-se a recomendar melhorias na fiscalização, na pesagem dos resíduos e na divulgação de informações operacionais. Nesta quinta-feira (26), antes da publicação do terceiro termo aditivo, a Mesa Diretora da Câmara encerrou a tramitação do processo no Legislativo municipal.
Quando a CEI foi anunciada, parlamentares chegaram a apontar que a investigação poderia atrapalhar a renovação do contrato, o que foi refutado à época pelo diretor executivo do Consórcio Limpa Gyn, Renan Andrade, em entrevista à Tribuna. “Nenhum temor. O consórcio vem fazendo um trabalho de excelência. Uma coisa não tem relação com a outra”, afirmou.
Antes crítico da qualidade da limpeza urbana, o prefeito Sandro Mabel (UB) passou, após as eleições, a adotar tom mais favorável à atuação do consórcio, destacando avanços operacionais após ações de fiscalização da Prefeitura, como a implantação de um sistema de monitoramento dos caminhões de coleta. Em evento recente, realizado em uma escola da capital com participação da empresa, Mabel afirmou que o serviço “tem melhorado”.
Em nota à imprensa, o Consórcio Limpa Gyn afirmou, após a finalização das investigações do Poder Legislativo, que “o relatório final da CEI atesta, de forma inequívoca, a total lisura do contrato, evidenciando a austeridade e a transparência dos procedimentos adotados pelo Consórcio” e destaca que não foi identificado “qualquer indício de desvio de recursos públicos ou má-fé na condução de suas atividades”.
Procurada para comentar, a empresa não respondeu até o fechamento desta edição.
Evolução do contrato com o Consórcio Limpa Gyn
| Etapa | Data | Tipo de alteração | Motivo | Valor acrescido | Valor global estimado |
| Contrato original | mar/2024 | Assinatura | Prestação dos serviços de limpeza urbana | — | R$ 470.332.577 |
| 1º Termo Aditivo | dez/2024 | Reprogramação de custos | Ajustes operacionais da planilha | + R$ 13.821.040 | R$ 484.153.617 |
| 2º Termo Aditivo | mai/2025 | Repactuação salarial | Convenção coletiva dos coletores | + R$ 8.993.910* | R$ 509.954.754 |
| 3º Termo Aditivo | fev/2026 | Reajuste inflacionário (IPCA 5,32%) | Recomposição inflacionária prevista em contrato | + R$ 27,1 milhões | R$ 537,1 milhões |
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