Em entrevista à Tribuna do Planalto, o vereador Major Vitor Hugo (PL) afirma estar bem posicionado nas pesquisas de intenção de votos - levantamento de dezembro mostra que o vereador estava a apenas dois pontos do deputado Gustavo Gayer - e disposto a compor a chapa majoritária do PL na segunda vaga ao Senado. Ele garante que as pré-candidaturas de Wilder Morais ao governo e de Gustavo Gayer ao Senado estão consolidadas e nega divisão interna envolvendo a família Bolsonaro. O parlamentar confirma a existência de um acordo que prevê influência de Jair Bolsonaro nas escolhas ao Senado e de Valdemar Costa Neto nas disputas aos governos estaduais, mas acredita que as articulações caminham para convergência. Na Câmara de Goiânia, Vitor Hugo adota tom crítico ao prefeito Sandro Mabel. Ele diz que a relação entre Paço e Legislativo “pode melhorar muito”, cita o veto integral a um projeto de sua autoria sobre carga e descarga na capital e aponta excesso de vetos do Executivo. Apesar de reconhecer que Mabel é mais presente que o antecessor, afirma que o prefeito precisa aprimorar o diálogo com vereadores e com a população.
Tribuna do PLanalto – Na reunião do PL do dia 20, o senhor defendeu a união do partido em torno da candidatura de Wilder Morais. Considerando a posição dos deputados Gustavo Gayer, Magda Mofatto e Daniel Agrobom, que insistem no apoio a Daniel Vilela (MDB), essa união é possível? Magda falou em deixar o PL e participou de evento do governo após o anúncio de candidatura própria do PL.
MAJOR VITOR HUGO – Na política é natural que cada um tenha o seu posicionamento, defenda a sua linha de ação até o ponto, na minha opinião, da decisão tomada, como a Nacional sinalizou com a presença física do Valdemar Costa Neto e com a participação remota do Eduardo Bolsonaro. Agora cada um que é do PL, que já foi do PL, que pretendia voltar pro PL ou não, vai tomar sua decisão, raciocinando no que quer, no que acha melhor para Goiás e logicamente no que acha melhor para sua própria manutenção na política. Nós estamos nessa fase. Daqui a pouco vai começar a janela partidária, e os parlamentares, quem está no mandato federal e estadual, vão poder migrar de partido para concorrer. Todos estão fazendo essa avaliação. Eu penso que é possível, que é necessário que o PL se una em Goiás e isso também aconteça em todos os estados, porque a nossa maior briga é contra o PT, é contra a esquerda. Nosso maior objetivo é retomar democraticamente a Presidência da República e conquistar a maior parte das cadeiras do Senado e da Câmara, e para isso a gente precisa estar unida nos embates regionais com seus reflexos a nível nacional. Eu fiz um discurso de união porque realmente é o que nós precisamos. E eu torço e espero que todos os atores envolvidos venham a aderir no seu tempo, à sua maneira, ao projeto do Wilder e que o nosso projeto contribua para o projeto maior da Presidência da República, que é a pré-candidatura do Flávio Bolsonaro.
Qual a mensagem que Gustavo Gayer quis passar com o vídeo de Flávio Bolsonaro apoiando sua pré-candidatura ao Senado? Flávio disse que Gayer não caiu de paraquedas. A mensagem foi para quem?
Eu não acho que tenha sido um recado para alguém aqui em Goiás. Acho que foi uma mensagem clara para todo mundo de que o Gustavo é pré-candidato ao Senado. O Gustavo conta com o apoio firme e grande da família Bolsonaro, do próprio presidente, dos filhos e da Michele Bolsonaro, e tem uma rede de conexão muito grande entre os deputados atuais, inclusive com os mais atuantes, como Nikolas Ferreira e tantos outros. Acho que foi a reafirmação da pré-candidatura que o próprio Gustavo já vinha falando há algum tempo. Ele está muito bem pontuado nas pesquisas e a fala do Flávio consolida a pré-candidatura do Gustavo ao Senado.
Eduardo Bolsonaro apoiou a indicação de Wilder ao governo e Flávio Bolsonaro a pretensão de Gayer ao Senado. Há uma divisão da família Bolsonaro em relação ao PL em Goiás?
Acho que os momentos pré-tomada de decisão são momentos tensos, são momentos em que as pessoas expressam suas vontades, seus pontos de vista, suas avaliações de cenário e muitas vezes isso conflita. E é normal; isso acontece no grupo de amigos, na relação entre pais e filhos. Imagina num partido político da dimensão que o PL tomou, com tantos deputados federais, senadores, com a possibilidade real e concreta de voltar à Presidência da República. É natural e não vejo nenhum tipo de divisão, até porque não houve, por exemplo, nenhuma fala pública contrária à candidatura do Wilder por parte da família do ex-presidente Bolsonaro. E houve uma manifestação pública, sim, do Eduardo, inclusive citando o Flávio. As acomodações vão acontecer de agora em diante. E a minha avaliação é que tanto a pré-candidatura do Wilder, quanto a pré-candidatura do Gustavo Gayer, ao governo e ao Senado, estão consolidadas.
Valdemar Costa Neto fala de um acordo pelo qual ele indicaria os candidatos a governador e Jair Bolsonaro ao senado. Isso tem gerado divergências no PL. O PL e o senhor têm conhecimento desse acordo?
Eu tive notícias desse acordo, o presidente Valdemar falou várias vezes sobre ele, o próprio Bolsonaro lá atrás, no ano passado, quando a gente se encontrava, falava também desse acordo, que ele iria tomar conta de maneira mais direta e decisiva dos candidatos ao Senado, porque é a casa legislativa que tem condições de reequilibrar os poderes no Brasil, e que as candidaturas aos governos seriam decididas pelo Valdemar. Esse acordo efetivamente existe. É lógico que não é tão cartesiano, tão matemático assim, porque muitas vezes a candidatura ao governo pode acabar influenciando as candidaturas ao Senado e vice-versa. O sistema trabalhou muito para prejudicar situações como essa, em que há uma influência mútua e que haveria necessidade de uma conversa entre o presidente nacional do partido, que tem em suas a condução administrativa do partido, e o ex-presidente Bolsonaro, que é quem tem o grande prestígio político, a liderança política efetiva. Quando o sistema proíbe os dois de interagirem, quando há esse conflito, esse espaço onde haveria uma discussão, simplesmente fica impedido. Alguma turbulência nesse meio do caminho pode acontecer, mas eu tenho certeza que as coisas vão se incomodando com o passar do tempo. É o que eu tenho visto aqui em Goiás, a pré-candidatura do Wilder foi lançada, com a presença de Valdemar e o Eduardo falando, a escolha da vice (Ana Paula Rezende), e agora veio também a confirmação da candidatura do Gayer, que é um ator muito importante para o Estado e para o país e todo mundo tinha certeza absoluta que não haveria nenhum tipo de desmerecimento, desprestígio, em relação à liderança dele, a figura dele, no nível estadual e em relação à família Bolsonaro quanto a ele. Esses dois movimentos não se contrapõem, eles caminham para essa união. Da mesma forma que Flávio hipotecou o apoio à candidatura do Gayer, ele não negou, não barrou, não negou, não fez nenhuma fala contrária à candidatura do Wilder. As coisas estão sendo construídas com muito cuidado, passo a passo, momento a momento, e tenho certeza que ali na frente, muito rapidamente todos vamos estar juntos no mesmo palanque combatendo a esquerda e o PT.
Nas eleições passadas muitos candidatos foram eleitos a partir da influência de Jair Bolsonaro. O senhor acha que, preso, ele terá a mesma influência nessa eleição, considerando que ele não vai estar no palanque?
Esse também é o objetivo do sistema, tentar diminuir a direita brasileira ao retirar o próprio Bolsonaro da urna e ao dificultar o acesso das lideranças da direita do país a ele. Visitas muito restritas, impossibilidade dele de utilização de rede social e de manifestação de fala direta com a população brasileira. Isso logicamente vai prejudicar a direita. Mas o ex-presidente Bolsonaro mantém uma influência muito grande. Ele indicou Flávio, que inicialmente não estava tanto no radar da imprensa ou da sociedade brasileira no geral, porque havia uma tendência, ou pelo menos algumas sinalizações de que o escolhido poderia ser o Tarcísio de Freitas, mas o ex-presidente decidiu pelo Flávio, e hoje o Flávio já aparece em várias pesquisas à frente do Lula, inclusive no primeiro turno e no segundo turno. Isso demonstra o prestígio que Bolsonaro tem ainda dentro da cadeia, sem aparecer, sem um vídeo dele, sem uma fala dele explícita. Inicialmente só a ciência da indicação e depois uma carta assinada por ele fez com que o Flávio já despontasse nas pesquisas. Isso mostra o prestígio e o apreço que grande parte da população brasileira ainda tem pelo ex-presidente Bolsonaro. O sistema está tentando impedir, mas ele continua sendo um ator muito importante, o principal cabo eleitoral do Flávio e de qualquer candidato da direita hoje no país.
Os filhos e Michelle Bolsonaro vão conseguir levar o bolsonarismo à frente, apesar das constantes divergências?
Essas divergências fazem parte do jogo político e também da construção de um partido que é democrático. As pessoas não precisam concordar 100% o tempo inteiro. Eu tenho certeza que eles vão levar a frente e como a família agora tem acesso livre ao ex-presidente, não precisam pedir autorização, podem ir a qualquer tempo, a qualquer momento, isso facilitou muito a orientação do Bolsonaro a eles. Tenho certeza que eles vão conseguir liderar, conduzir o movimento de maneira que essa chama não esfrie, não se apague.
O senhor mantém algum tipo de contato com Jair Bolsonaro, seja por meio de pessoas que o visitam? Pensa em visitá-lo?
Eu fiz a solicitação já há algum tempo para poder visitá-lo, mas infelizmente ainda não obtive resposta. E estou aguardando a resposta por parte do Alexandre Moraes para poder ir lá fazer a visita.
Nessa configuração da chapa do PL para a eleição pode haver espaço para uma candidatura do senhor ao Senado?
Hoje eu sou pré-candidato a deputado federal. Mas se o PL decidir lançar uma segunda candidatura ao Senado em Goiás, eu sou voluntário para estar nessa discussão. Essa é uma decisão que certamente vai passar pelo Wilder, pelo Flávio também e lógico pelo Gayer, que é o primeiro pré-candidato já consolidado. Se houver a possibilidade de lançar um segundo candidato, o meu nome está à disposição e eu estou pontuando bem nas pesquisas.
O partido já articula alguma aliança? O Novo deve ser um aliado?
Eu tenho certeza que o Wilder está nessa costura para trazer mais partidos. O Novo tem sinalizado para o PL, tanto que Leonardo Rizzo estava no lançamento (da candidatura de Wilder ao governo), ele é uma das lideranças expoentes do Novo no estado. Isso já é um sinal de que existe pelo menos disposição para conversa e para aproximação. E para nós seria muito bom se o Novo pudesse estar no palanque do nosso pré-candidato ao governo.
Na eleição para prefeito, o PL não conseguiu superar o candidato do governo, que reunia um grande número de partidos na aliança. Com chapa puro sangue o PL não pode repetir o desempenho de 2024?
Os momentos políticos são diferentes, agora é um novo momento e existe uma candidatura presidencial liderada pelo Flávio, com grande apoio popular; o estado de Goiás é um estado muito à direita, conservador, um estado bolsonarista; e as chances de crescimento do Wilder, da nossa chapa, é gigante, é vertiginosa. Quanto mais agora com a chegada da Ana Paula, que traz um espectro mais ao centro que talvez nós não alcançássemos sem ela. Wilder já era, e com esse movimento se tornou ainda mais competitivo.
O partido já tem definidos os candidatos a deputado federal e estadual? Como está a formação das chapas proporcionais?
Tem o Fred Rodrigues para federal, além de mim, e toda uma chapa que está sendo montada. Havia a possibilidade da Magda Mofatto estar também, do Ismael Alexandrino também vir, do Daniel Agrobom ficar, mas não se sabe qual vai ser a decisão que eles vão tomar agora na janela partidária. Tem vários outros nomes, mas quem está controlando no detalhe é o Wilder. Para estadual, temos os deputados Major Araújo e Eduardo Prado, como os dois grandes nomes, e vários outros, Marcos Patrick, de Jataí, tem o Diogo, o Reginaldo, de Inhumas, e tem vários nomes de pré-candidatos a estadual que vão tomar a decisão se vão concorrer pelo PL durante a janela partidária. Mas o detalhamento da chapa está com a equipe do Wilder.
Como o senhor avalia a relação do prefeito Sandro Mabel com o Legislativo goianiense?
Eu acho que pode melhorar muito. Minha relação com o Paço Municipal não tem a ver com cargos e com emendas. Eu não indiquei ninguém, não quero indicar ninguém, a minha política é diferente. Mas a minha contrapartida para não ter esse tipo de pressão sobre ele é que os meus projetos sejam considerados com atenção. Eu procuro construir projetos importantes para a cidade, como por exemplo, um projeto de lei sobre as operações de cargas e descargas que foi aprovado pela Câmara. Nós tivemos grande discussão com o setor produtivo goiano, goianiense e também com várias secretarias municipais. E Mabel vetou o projeto integralmente. Esse tipo de atitude nos afasta. O PL hoje é independente em relação ao Paço, somos quatro vereadores, uns têm uma proximidade maior com ele, outros mais distantes e eu estou tendendo a me distanciar. Quando há um veto como esse, há um projeto de um vereador como eu, que foi o mais votado da capital, e que não tem nenhuma relação fisiológica com ele, isso pra mim demonstra falta de consideração. Um projeto que não traz ônus nenhum para cidade, pelo contrário, ajuda a planejar e a destravar o trânsito, o fluxo de bens, serviços, mercadorias, carros, veículos e caminhões. Era uma ferramenta para o prefeito atacar uma das principais reclamações do goianiense, que é a perda de tempo no trânsito, e ele vetou. Isso nos afasta muito.
Falta ao prefeito a sensibilidade política para lidar com a Câmara? Ele é muito gestor para o cargo?
O que eu tenho visto, ao longo do tempo, são alguns vereadores que eram da base e que estão saindo. O próprio líder do governo, no início (Igor Franco-MDB), tornou-se um dos maiores opositores, a ponto de pedir o impeachment dele. Ele precisa realmente ter uma relação mais respeitosa. Eu sinto que ele tem uma relação meio caricata com o vereador: “Não, eu gosto de vereador, sei como vereador pensa, porque eu fui deputado federal por muito tempo e tal”. E fica numa relação meio infantil, às vezes. Eu não quero ter nenhum tipo de relação com ele que não seja a relação política de apresentar projetos, e, sendo aprovados aqui, discutir com ele antes e durante a tramitação, aceitar modificações e emendas. Mas depois de aprovado, ele sancionar e aplicarmos juntos. Já é uma grande dificuldade, a capacidade legislativa dos municípios é muito pequena. E quando a gente consegue furar esse bloqueio, que é um bloqueio quase que institucional, apresentar e aprovar um projeto de lei bom para a cidade; aí ele vai lá e veta. Isso turba qualquer possibilidade de aproximação. Teve até um levantamento do jornal O Popular, falando que há mais de 100 vetos a serem apreciados. Imagina o quanto isso não pode turbar a relação ainda mais do Paço Municipal com a Câmara.
Como avalia a gestão do prefeito Sandro Mabel?
Ele é um prefeito muito mais presente e atuante do que o prefeito anterior; em relação à presença, interesse, estudo profundo dos problemas – isso para mim está muito claro – ele supera e muito Rogério Cruz nesse aspecto. Agora, ele precisa melhorar a relação com a Câmara, e acho que precisa melhorar também a relação com a população, a relação mais direta com a população e se posicionando como um servidor, não como um patrão. Às vezes ele tem uma postura de conflito com a população. Os vídeos que ele publicou, chamando a atenção do cidadão ou do eleitor na rua. Acho que ele devia aprender um pouco com o Márcio Corrêa, de Anápolis, que tem feito um trabalho muito bom lá e tem se colocado como uma pessoa que trabalha com a população, que trabalha para proteger o cidadão anapolino; e não para colocar em cheque, para cobrar, para se colocar como mais um um fiscalzão. Esse não é o papel dele; ele foi eleito para cuidar da cidade, para cuidar dos goianienses. Isso deveria ficar mais evidente nas suas atuações, a preocupação com a população. Eu lembro de uma vinda dele à Câmara de Vereadores e uma mãe expressou uma preocupação em relação à mudança de lugar de um CMEI, porque ia ficar afastado da vizinhança onde ela mora. Eu achei a resposta dele muito insensível. É uma preocupação e um pleito que é legítimo. Quem não quer que seu filho estude ou permaneça a maior parte do dia próximo da sua casa ou do seu trabalho? E é legítimo que a mãe levante e pergunte isso. E ele foi muito indelicado, muito grosso até na resposta à mãe. Essa relação com a população e a relação com a Câmara precisa melhorar muito.















