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Crianças com deficiência são recebidas em tarde no Goiás

Programa Pequenos Craques visa levar diversão aos pequenos e ainda busca a inclusão e respeito às diferenças por meio da interação com os atletas


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 09/10/2023 - 12:30

Crianças participam da 4ª edição do projeto Pequenos Craques, em 2022 (Foto: Divulgação)

No dia 13 de outubro, os jogadores do time profissional do Goiás Esporte Clube darão um tempo nas atividades cotidianas de treinos pesados para receber um público diferente do que normalmente frequenta o Estádio Hailê Pinheiro, da Serrinha. Neste dia, dentro da celebração pelo Dia da Criança, o programa Caminhando pela Infância promoverá, a partir de 16h30, a 5ª edição do projeto Pequenos Craques – Futebol Especial, uma parceria com o clube de futebol, e que visa a inclusão, ao levar 80 crianças com deficiência para passar momentos divertidos junto aos atletas.

Na programação, um evento totalmente voltado para crianças com atraso no neurodesenvolvimento, diagnosticadas com transtorno do espectro autista, apraxia de fala, paralisia cerebral, TDAH, entre outros, e que acabam por receber estímulo diferenciado nesse contato direto com os jogadores. Estão previstos desde brincadeiras e jogos com os atletas, fotos, sessão de autógrafos e muita tietagem. Os organizadores buscaram parceiros e patrocinadores para garantir a gratuidade do evento e para tornar a tarde ainda mais especial, com os pequenos tendo acesso a guloseimas, como picolés, algodão doce e pipoca, tudo distribuído gratuitamente. Os participantes chegarão ao estádio devidamente uniformizados com camisetas pensadas exclusivamente para o momento.

Desde a sua criação, o projeto já beneficiou 260 crianças, o que leva a psicóloga Maria Paula Chaim, idealizadora do Pequenos Craques, a sempre repetir a iniciativa ano a ano. “Além da formação de memórias afetivas a ação estimula diversas habilidades fundamentais na infância, principalmente para crianças com atraso no neurodesenvolvimento, situações como trabalhar o tempo de espera, compartilhar um brinquedo, brincar em um contexto livre, isso sem falar o vivenciar o espaço ocupado pelos ídolos. É emocionante ver, por exemplo, uma criança pisar em um gramado de treino, lugar onde ela nunca esteve antes”, explica Maria Paula. Ela acrescenta, ainda, o sentimento de pertencimento que desperta nas crianças e nas famílias, porque é um evento pensado exclusivamente para elas, na medida para que se sintam bem e acolhidas.

Maria Paula acrescenta que não há como negar que o processo de acolhida das crianças, a alegria delas ao receber a atenção dos atletas, acabam por impactar positivamente também os pais e responsáveis. Outro ponto a ser destacado é o levar a sociedade a se adequar para receber melhor esse público. Um exemplo é o olhar adotado pelo próprio Goiás em relação à causa. Neste ano, em lembrança pelo dia 2 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, o clube jogou com um uniforme especial, em referência à causa, e ainda inaugurou um camarote especial para o público com transtorno do espectro autista e TDH em seu estádio. “Esses gestos fazem parte dos inúmeros frutos que colhemos desde o primeiro ano da ação”, completa Maria Paula.

Amanda Ferro, cujo filho de oito anos é diagnosticado com transtorno do espectro autista, é uma das que fazem coro à relevância do projeto na vida das crianças. Ela conta que esperam pela ação do projeto o ano todo e que sempre participam. “O Pequenos Craques é um evento que a gente espera ansiosamente! Nós pais nos sentimos acolhidos e nossas crianças se divertem muito; é possível perceber o cuidado e o carinho nos detalhes. Nós amamos participar”, afirma a mãe.

Sob a perspectiva do que temos hoje socialmente, dá para imaginar a satisfação dos pais em ter um evento pensado para a criança atípica. Isso porque a organização do Pequenos Craques pensa a ação de forma a não fugir do que é agradável e recomendado a esse público. No fim do dia, o que se leva para casa são fotos, memórias e a certeza de que é possível a sociedade se adequar às crianças com deficiência, e que atitudes como a dos jogadores do Goiás Esporte Clube, aos poucos, vão mudar mentalidades, para que a sociedade esteja cada vez mais aberta às diferenças.

Sobre Maria Paula
Psicóloga, neuropsicóloga, doutoranda em psicologia e educação, mestre em especialista em Transtorno do Espectro Autista, atua com diagnóstico e intervenção precoce nos transtornos do neurodesenvolvimento e supervisões de caso. Idealizadora e responsável pelo Caminhando Pela Infância e pelo Projeto Clínica-Escola Centro de Desenvolvimento Infantil – Centrinho.