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Daniel diz que Cora superou disputas políticas e cobra maior participação federal na saúde

Com quase 2 mil cirurgias e mais de 5 mil atendimentos no primeiro ano, Cora terá ala para adultos até 2027, destaca governador


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 10/06/2026 - 10:42

A unidade é administrada pela Fundação Pio XII, mesma mantenedora do Hospital de Amor de Barretos (SP),
Vilela destaca resultados do primeiro ano do Cora, relembra disputas enfrentadas durante a implantação e afirma que busca parceria da União (Foto: Divulgação)

O governador Daniel Vilela (MDB) afirmou nesta quarta-feira (10) que a construção do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) superou disputas políticas, questionamentos jurídicos e obstáculos administrativos antes de se consolidar como referência no tratamento oncológico pediátrico pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante a apresentação do balanço do primeiro ano de funcionamento da unidade, Daniel destacou que os resultados alcançados justificam os investimentos realizados pelo Governo de Goiás e reforçam a decisão tomada pelo ex-governador Ronaldo Caiado de implantar um hospital especializado no combate ao câncer infantil.

“Isso aqui também reforça a nossa vontade de fazer cada vez mais. Houve muito impasse, muita confusão, inclusive política, de pessoas que não compreendiam a importância disso para as famílias goianas e para as crianças que precisavam desse atendimento. Graças a Deus, tudo isso foi superado”, afirmou.

Inaugurado em junho de 2025, o Cora foi criado para oferecer atendimento especializado e de alta complexidade a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer. Segundo Daniel Vilela, a unidade já realizou quase 2 mil cirurgias no primeiro ano de funcionamento, sendo aproximadamente 250 de grande porte, além de mais de 5 mil atendimentos ambulatoriais.

O governador em exercício relatou ainda casos de famílias que antes precisavam buscar tratamento em outros estados e que agora encontram atendimento em Goiás. Segundo ele, a existência do hospital reduz não apenas os impactos da doença, mas também os custos sociais e financeiros enfrentados pelos pacientes.

Modelo de contratação

O projeto do Cora foi lançado em fevereiro de 2023 pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Desde o início, o Estado optou por um modelo considerado inovador para viabilizar a obra. Em vez de realizar uma licitação convencional para construção e gestão da unidade, foi firmado um termo de colaboração com a Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital de Amor de Barretos.

A escolha gerou questionamentos de partidos de oposição e órgãos de controle, que contestaram a legalidade da contratação sem licitação para a implantação do complexo hospitalar.

As representações foram analisadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), que em agosto de 2024 decidiu arquivar os questionamentos e validou a parceria. O entendimento predominante foi de que o modelo adotado permitiu maior celeridade na execução de um projeto considerado estratégico para a saúde pública.

Ao comentar a participação da União, Daniel Vilela afirmou que o hospital é atualmente mantido com recursos estaduais e defendeu uma ampliação do apoio federal, especialmente para a futura construção da ala adulta do complexo.

“Esse é um hospital 100% SUS e 100% custeado pelo Estado de Goiás. Nós temos buscado a parceria do Ministério da Saúde para ampliar cada vez mais o volume de atendimento e também para a construção do hospital adulto”, disse.

O histórico da obra mostra que o Governo de Goiás buscou incluir o empreendimento em programas federais de investimento e financiamento da saúde, incluindo negociações junto ao Ministério da Saúde e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Entretanto, a União não realizou aportes para a infraestrutura da unidade.

Durante agenda realizada em Goiás na semana passada, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Ministério da Saúde destinou R$ 3,1 bilhões ao estado e que os repasses para procedimentos de média e alta complexidade registraram níveis recordes.

A posição da União é de que o entrave envolvendo o Cora decorreu do modelo escolhido pelo Governo de Goiás para executar a obra, por meio de parceria com a Fundação Pio XII sem licitação convencional. Segundo o entendimento adotado pelo governo federal, esse formato não atendia aos requisitos exigidos para transferências voluntárias destinadas à infraestrutura.

Expansão para adultos

Daniel Vilela confirmou que o Governo de Goiás já trabalha na próxima etapa do projeto, que prevê a construção do hospital oncológico voltado para pacientes adultos.

Segundo ele, existe um acordo firmado com a Fundação Pio XII para a elaboração dos projetos de engenharia e arquitetura necessários à expansão da unidade. A expectativa é concluir os estudos até o final deste ano ou início de 2027 e iniciar as obras na sequência.

“Desde o início a ideia do Caiado era construir tanto a ala infantil quanto a adulta. Por razões técnicas, começamos pela pediátrica e agora queremos dar sequência ao projeto para atender pacientes de todas as idades”, afirmou.

O Cora é considerado pelo governo estadual o primeiro complexo público especializado exclusivamente no tratamento do câncer em Goiás. A unidade também abriga a maior ala de transplante de medula óssea infantil da América Latina e atende pacientes de diversas regiões do país por meio do SUS.

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