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Debate Globo: Flávio admite erro sobre licença-maternidade e Lula é cobrado por dívidas e crise na saúde

Segundo bloco teve embates sobre Bolsa Família, endividamento dos brasileiros e investimentos no SUS, além de novas acusações sobre a pandemia


Por Carlos Nathan Sampaio em 23/10/2026 - 23:00

Debate Globo Flávio admite erro sobre licença-maternidade e Lula é cobrado por dívidas e crise na saúde
(Imagens: Reprodução)

O segundo bloco do debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), deu continuidade a confrontos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre políticas sociais, dívida pública e saúde. Os candidatos trocaram acusações sobre o aumento do endividamento das famílias, a situação do Sistema Único de Saúde (SUS) e o combate à pobreza. Flávio também reconheceu ter errado ao votar contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual do Rio de Janeiro.

Diferentemente do primeiro bloco, dedicado às regiões brasileiras e à infraestrutura, a segunda etapa permitiu que os candidatos escolhessem assuntos entre os temas apresentados pela organização. Lula abriu a rodada selecionando políticas sociais e questionou Flávio sobre seu histórico de votação.

O presidente perguntou por que o adversário havia votado contra o aumento da licença-maternidade, cobrando que explicasse sua posição às mulheres brasileiras. Flávio reconheceu a decisão e afirmou que mudou de opinião.

“Na época eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego. Eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca eu sei da importância da mãe estar perto do filho por até mais de 180 dias, se possível”, declarou.

Lula criticou a justificativa, argumentando que o senador teve a oportunidade de apoiar a ampliação do benefício e não o fez. O petista também questionou por que Flávio teria chamado o Bolsa Família de “Bolsa Farelo”, expressão que classificou como desrespeitosa à população de baixa renda.

“Quando ele teve a chance de votar para aumentar o auxílio-maternidade, ele não votou. Agora vem aqui dizer: ‘Ah, eu agora vou votar’. Não votou quando podia votar”, afirmou Lula.

Flávio respondeu com críticas à situação social do país e passou a cobrar pedidos de desculpas do presidente. O senador mencionou o aumento da população em situação de rua, a violência contra mulheres, o endividamento e os preços dos alimentos.

Também acusou Lula de anunciar um reajuste do Bolsa Família apenas às vésperas da eleição, afirmando que o aumento equivaleria a R$ 3 por dia.

“Você que recebe Bolsa Família, você foi esquecido pelo atual governo por quatro anos. Sabe quando lembrou de você? Há 17 dias. Ele lembrou de você porque você vota”, declarou.

O candidato do PL afirmou ainda que ouviu relatos de insatisfação durante viagens pelo Nordeste. “A palavra decepção. Essa é a palavra que se refere ao atual governo, porque a esperança virou decepção”, disse.

Após as declarações, Lula recebeu direito de resposta. O presidente afirmou que reconhece os problemas sociais ainda existentes, mas defendeu os resultados de seus governos no combate à pobreza e à desigualdade.

“Eu tenho consciência que ainda falta muita coisa a ser feita nesse país. Muito!”, afirmou. Em seguida, responsabilizou as elites brasileiras pelas desigualdades históricas e acrescentou: “Quem tem que pedir desculpa ao Brasil é a elite brasileira”.

Dívida pública e renegociação de débitos

A discussão econômica começou com Flávio Bolsonaro, que escolheu o tema dívida pública. O senador afirmou que o endividamento federal estaria próximo de R$ 11 trilhões e relacionou o crescimento das despesas públicas à manutenção dos juros elevados.

Segundo ele, a política econômica do governo Lula prejudica principalmente os brasileiros de menor renda, que enfrentam dificuldades para pagar empréstimos, financiamentos e contas do cotidiano.

“Lula, por que você está deixando as famílias brasileiras tão endividadas, já que, uma vez que a dívida do governo cresce, a dívida das famílias cresce junto?”, questionou.

O presidente reagiu cobrando explicações sobre a autonomia do Banco Central, aprovada durante o governo Jair Bolsonaro. Flávio defendeu a medida, afirmando que ela impede interferências políticas na definição dos juros.

O senador também apresentou uma proposta para renegociar dívidas de pessoas físicas e empresas. Segundo ele, o governo poderia adquirir débitos bancários e refinanciá-los em condições mais favoráveis, com participação da Caixa Econômica Federal e de uma instituição que chamou de Banco da Prosperidade.

“Eu vou comprar a sua dívida dos bancos e vou refinanciar pelo Banco da Prosperidade e a Caixa Econômica Federal”, prometeu.

Flávio afirmou que, dentro desse modelo, pessoas físicas poderiam ficar seis meses sem pagar parcelas, enquanto empresas teriam um período de um ano antes de retomar os pagamentos.

Lula acusou o adversário de copiar uma iniciativa que, segundo ele, já havia sido encaminhada ao Senado. O presidente afirmou que seu governo trabalha com a renegociação de débitos mediante descontos elevados e citou medidas de regularização de dívidas com a União.

“Ele tá copiando uma coisa que eu já mandei pro Senado. E ele sabe disso”, declarou.

O petista também defendeu o crescimento econômico como alternativa para reduzir o peso da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

“Eu quero fazer a economia crescer, porque quanto mais a economia crescer, mais a gente vai poder diminuir a dívida com relação ao PIB e a gente vai gerar os empregos necessários”, afirmou.

A divergência central ficou na condução das contas públicas. Flávio defendeu maior controle das despesas para permitir a redução dos juros, enquanto Lula argumentou que o crescimento econômico, acompanhado da ampliação do crédito e da renda, também é fundamental para melhorar os indicadores fiscais.

SUS e pandemia encerram o segundo bloco

A última rodada foi dedicada ao Sistema Único de Saúde. Lula questionou declarações que atribuiu a um integrante da equipe de Flávio, segundo as quais não haveria disposição para ampliar os investimentos no SUS.

O presidente também voltou a criticar a atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, especialmente as declarações sobre vacinas e o incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.

Flávio respondeu que pretende manter os investimentos no sistema público, mas afirmou que a gestão atual é ineficiente. Citou a falta de medicamentos em unidades de saúde e a demora para consultas, exames e cirurgias.

“O SUS é mal gerido, mas o SUS é um orgulho nacional”, declarou.

O senador também questionou Lula sobre o voto contrário ao texto final da Constituição de 1988, que estabeleceu as bases do SUS.

Na réplica, o presidente afirmou que os profissionais do sistema público foram fundamentais para evitar um número ainda maior de mortes durante a pandemia.

“Graças a Deus existiu um SUS, com médicos, com enfermeiros, com faxineiros, com motoristas, que colocaram a sua vida em risco para evitar o desastre desse país, que foi a Covid”, disse.

Lula também acusou o grupo político do adversário de defender medidas que poderiam resultar na privatização ou na cobrança por serviços atualmente oferecidos pelo SUS.

Flávio negou que pretenda abandonar o sistema e lembrou que Jair Bolsonaro foi atendido na rede pública após o atentado sofrido durante a campanha presidencial de 2018.

“Óbvio que vai ter investimento no SUS. […] Eu vou manter sim, vou investir no SUS sim”, afirmou.

O candidato apresentou propostas para ampliar o atendimento a pacientes com câncer, investir no Instituto Nacional de Câncer (Inca), melhorar as condições de transplantes de órgãos e renegociar dívidas das Santas Casas.

Também prometeu atualizar a tabela SUS, que define os valores pagos por procedimentos e serviços prestados à rede pública. Como referência, citou a tabela SUS Paulista, adotada pelo governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo.

“Eu vou ajudar a refinanciar essas dívidas. E mais: eu vou atualizar a tabela SUS”, declarou.

O segundo bloco terminou com os candidatos defendendo a manutenção do SUS, mas apresentando avaliações diferentes sobre seus problemas e sobre a responsabilidade pela situação atual. Ao longo das três rodadas, ambos também disputaram a autoria de propostas sociais e econômicas, em um confronto que alternou promessas de governo, críticas administrativas e referências às gestões anteriores.

As declarações e os números apresentados pelos candidatos foram reproduzidos a partir dos trechos do debate, sem que isso represente confirmação independente das alegações feitas durante o confronto.

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