A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) criticou a encenação de um boneco com seu rosto sendo açoitado durante uma manifestação em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada na Praça Universitária, em Goiânia, no domingo (11). O boneco tinha uma placa com a frase “Sinhá Zanatta no tronco”. Na segunda-feira (12), a parlamentar afirmou que encaminhou o caso a advogados para avaliar possíveis medidas jurídicas.
Zanatta classificou a cena como hipócrita e questionou como grupos de esquerda reagiriam se a imagem de uma mulher ligada ao campo político deles fosse usada da mesma forma. “Agora eles aproveitam isso aí para fazer um boneco meu e me açoitar em praça pública”, declarou. A deputada também perguntou se a primeira-dama Janja da Silva consideraria a encenação misógina.
A crítica ganha outro contorno porque Zanatta é uma das principais vozes da defesa da liberdade de expressão na Câmara dos Deputados. Em discurso no plenário, ela afirmou que esse direito deve proteger também manifestações que “desafiam consensos e incomodam os poderosos”. A defesa vale para a encenação em Goiânia? A parlamentar pode condenar o gesto e recorrer à Justiça, mas a reação também expõe a tensão entre defender ampla liberdade para manifestações políticas e tratar como possível caso jurídico uma sátira dirigida a ela.
O episódio ocorreu poucos dias depois de Zanatta comemorar a votação que recebeu em Santa Catarina usando um relho — chicote —, gesto que ela associou à expressão regional “vitória de relho”. Na ocasião, descreveu o uso como uma brincadeira simbólica. A comparação ajuda a entender por que a encenação em Goiânia foi apresentada como resposta política, embora isso não elimine a discussão sobre os limites de uma representação que simula violência contra uma mulher.











