Ministério Público do Trabalho registrou 785 denúncias entre janeiro e setembro, contra 85 no mesmo período de 2022. Setembro concentrou mais da metade dos relatos, com 521 casos em um único mês.
As denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho dispararam às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. O Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou 785 casos entre janeiro e setembro deste ano, contra 85 no mesmo período de 2022. O crescimento é de 823,5% em quatro anos. Os dados foram publicados pelo Estadão e confirmados por veículos como Revista Fórum, SBT News e Jornal de Brasília.
O salto fica ainda mais evidente quando se observa apenas o mês de setembro. Foram 521 denúncias em um único mês, contra 68 em setembro de 2022. O número é quase oito vezes maior que o registrado há quatro anos. Em agosto deste ano, o MPT havia contabilizado 135 relatos, ante 9 no mesmo mês de 2022.
O que caracteriza o assédio eleitoral
O assédio eleitoral ocorre quando a relação de trabalho é usada para constranger, ameaçar ou tentar influenciar a escolha política de um funcionário. A prática pode acontecer tanto no setor privado quanto no serviço público e atingir empregados formais, terceirizados, servidores, estagiários e autônomos.
Entre as condutas investigadas estão ameaças de demissão, promessas de benefícios em troca de apoio político, exigência de participação em atos de campanha e monitoramento das manifestações políticas dos funcionários. Há ainda formas menos explícitas, como a transformação da própria empresa em instrumento de campanha, com uso de instalações, equipamentos e grupos corporativos para promover candidaturas.
WhatsApp é principal ferramenta
Levantamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) aponta que o WhatsApp foi o meio digital mais citado em processos de assédio eleitoral, aparecendo em 51 dos 138 casos analisados. Facebook e Instagram foram mencionados em 20 processos.
Os pesquisadores consideraram como meios digitais grupos de mensagens, e-mails, videoconferências, redes sociais e outras plataformas. Entre as situações identificadas estão a criação de grupos para propaganda política, o envio obrigatório de conteúdos, a exigência de publicação de material de campanha em perfis pessoais e o monitoramento das redes sociais dos empregados.
Concentração regional
São Paulo lidera o ranking de denúncias, com 126 registros, seguido por Minas Gerais, com 94, e Rio de Janeiro, com 87. Os três estados, que são os maiores colégios eleitorais do país, concentram a maior parte dos casos. Na comparação com 2022, o crescimento é expressivo: naquele ano, São Paulo havia registrado apenas quatro denúncias, Minas Gerais, cinco, e Rio de Janeiro, três.
O volume de 2026 também supera o registrado nas eleições municipais de 2024. Até setembro daquele ano, o MPT havia recebido 527 denúncias de assédio eleitoral em todo o país.
Dificuldade de prova
A pesquisa do TST também mostra que provar a pressão política é um dos principais desafios nos processos. Entre as decisões que rejeitaram pedidos de assédio eleitoral, 31 mencionaram a fragilidade das provas, o equivalente a 75,6% dos casos.
Os magistrados analisaram depoimentos de testemunhas, documentos, registros digitais, áudios, atas notariais e confissões. Mensagens de WhatsApp aparecem entre os elementos considerados em decisões favoráveis. Nas decisões desfavoráveis, a pesquisa identificou dificuldades relacionadas à prova oral, com depoimentos contraditórios ou baseados em informações de terceiros.
Trabalhadores que se sentirem pressionados politicamente podem registrar denúncia no Ministério Público do Trabalho pela internet ou pelo aplicativo MPT. A denúncia é gratuita e pode ser anônima. Também é possível procurar a Superintendência Regional do Trabalho ou o sindicato da categoria. O voto é secreto e nenhum empregador pode obrigar o funcionário a revelar sua escolha ou participar de atos políticos.
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