Os candidatos derrotados no primeiro turno da eleição presidencial adotaram estratégias diferentes diante da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que se enfrentarão no segundo turno, em 25 de outubro. Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) não anunciaram apoio formal a nenhum dos dois candidatos.
Terceiro colocado, Augusto Cury obteve 2,89% dos votos e defendeu a pacificação do país, sem indicar preferência entre Lula e Flávio. Renan Santos, que ficou em quarto, com 2,24%, também descartou declarar apoio, embora tenha afirmado que considera a vitória de Flávio Bolsonaro praticamente definida.
Caiado terminou em quinto lugar, com cerca de 2,6 milhões de votos, e adotou uma postura mais cautelosa. O ex-governador de Goiás afirmou que pretende discutir o cenário com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, antes de definir qualquer posicionamento.
Já Romeu Zema, sexto colocado, com 0,27% dos votos, sinalizou que fará oposição a Lula e ao PT, mas evitou declarar apoio formal a Flávio Bolsonaro.
Caiado diz que “caiu de pé”
Após o resultado, Caiado classificou a campanha presidencial como “atípica” e afirmou que deixa a disputa com orgulho por ter representado Goiás na eleição nacional.
“Não venci, mas caí de pé. Caí com orgulho, com honra, com dignidade, com coragem e com responsabilidade daquilo que foi representar o meu povo goiano no cenário nacional”, afirmou.
Questionado sobre o segundo turno, o ex-governador evitou antecipar uma decisão. Segundo ele, qualquer manifestação será feita depois de uma conversa com Kassab.
“Jamais vou me pronunciar sem antes também estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab”, declarou.
A direção nacional do PSD, entretanto, indicou que não pretende impor uma posição única aos diretórios estaduais. Kassab afirmou que, diante da diversidade de alianças construídas pelo partido nos estados, cada diretório, parlamentar e liderança terá liberdade para definir seu apoio.
A postura mantém aberto o caminho para diferentes posicionamentos dentro do PSD e ganha relevância em Goiás, onde Caiado encerrou sua trajetória no primeiro turno com a vitória de Gracinha Caiado (União) para o Senado e de Daniel Vilela (MDB) para o governo estadual.
Renan prevê vitória de Flávio, mas não pede votos
Renan Santos também decidiu não apoiar nenhum dos candidatos. Em declaração após o resultado, afirmou que considera Flávio Bolsonaro o favorito para vencer a disputa, mas disse que não pretende pedir votos para o candidato do PL.
“O Flávio Bolsonaro já é o próximo presidente da República. Ele não vai ganhar em primeiro turno, mas ele já é o próximo presidente da República”, afirmou.
Apesar da avaliação, Renan criticou tanto Flávio quanto Lula e disse que seus eleitores devem decidir livremente o voto.
O candidato também avaliou que o desempenho do Missão nas urnas ficou abaixo do esperado. A legenda, entretanto, conseguiu eleger Kim Kataguiri para a Câmara dos Deputados por São Paulo e Rafa Minato para a Assembleia Legislativa paulista.
Cury prega pacificação
Augusto Cury adotou uma posição distinta. Sem declarar apoio a Lula ou Flávio, o terceiro colocado defendeu a redução da polarização política e pediu que o próximo governo busque reunir diferentes setores da sociedade.
“Sonho com um Brasil em que direita, centro e esquerda possam sentar-se à mesma mesa. Não precisam pensar da mesma maneira; seria até uma pobreza intelectual se pensassem. Democracia não é concordar; é aprender a caminhar juntos, mesmo discordando”, afirmou.
Cury disse ainda que torce para que o vencedor do segundo turno governe “pensando em um Brasil de esperança”.
Durante a campanha, o escritor também defendeu mudanças institucionais, como o fim da reeleição presidencial, mandato de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a adoção do semipresidencialismo.
Zema declara oposição ao PT
Zema foi o único dos quatro derrotados a sinalizar de forma mais clara qual será sua posição no segundo turno. O ex-governador de Minas Gerais afirmou que estará contra o PT onde houver candidato do partido, mas não declarou apoio formal a Flávio Bolsonaro.
“Onde tiver PT no segundo turno, eu estarei contra o PT, porque o PT é atraso, o PT já teve todas as chances de mostrar para o que veio”, afirmou.
Zema também comemorou o desempenho da direita na eleição e avaliou que o resultado das urnas apontou para um crescimento desse campo político no Congresso.
“Muito satisfeito com o resultado da eleição. Deu para perceber claramente um avanço da direita muito maior que as pesquisas apontaram”, disse.
A declaração reforça a tendência de uma parte dos candidatos derrotados se posicionar contra Lula sem necessariamente formalizar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Com milhões de votos somados entre os quatro candidatos, as posições adotadas após o primeiro turno podem influenciar a disputa final. Entre eles, Caiado concentra o maior contingente de votos e, por isso, sua decisão e a posição das lideranças do PSD serão acompanhadas com atenção nas próximas semanas.









