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Emergentes querem se consolidar

Eleitos em 2018 pela primeira vez a um mandato buscam reeleição ou se aventuram a outro cargo

Por Redação Tribuna do Planalto - 26/04/2022

Thiago Queiroz 

Predominou nas eleições de 2018 o discurso ideológico, que culminou no voto também ideológico. O cenário de polarização entre direita e esquerda beneficiou muitos candidatos que se posicionaram nos extremos de defesa das pautas de cada uma delas e conseguiram se eleger. Os que ainda não haviam sido experimentados em mandatos viram no horizonte paisagem perfeita para se apresentar como renovação e se vender com o rótulo de “nome novo” e distante da “velha política”. 

A maioria dos eleitos se aproveitou da chamada onda, tanto da direita, liderada por Jair Bolsonaro (PL), quanto da esquerda, com Fernando Haddad representando o PT, as esquerdas e o ex-presidente Lula, figura mais popular e com histórico de dois mandatos bem aprovados como presidente da República. 

Em Goiás, por exemplo, dos 17 deputados federais eleitos seis nunca haviam tido mandato. Dos 41 estaduais, seis deles subiram pela primeira vez na tribuna da Assembleia Legislativa. Sem contar os que passaram apenas por cargos locais, como câmaras municipais ou na vaga de vice-prefeito, e se alçaram no nível estadual.  

Foram eleitos para um cargo eletivo pela primeira vez os deputados federais Adriano do Baldy (PP), Glaustin da Fokus (PSC), José Mário Schreiner (MDB), Professor Alcides (PL), Vitor Hugo (PL) e Zacharias Calil (UB). Na Assembleia, foram Coronel Adailton (PRTB), Delegado Humberto Teófilo (Patriota), Júlio Pina (PRTB), Rafael Gouveia (Republicanos), Rubens Marques (UB) e Wilde Cambão (PSD). 

Agora, para as eleições nacionais de 2022, os que em 2018 eram “nome novo” e distantes da “velha política” — e alguns que pela primeira vez tiveram suas fotos estampando santinhos — não mais conseguirão conquistar votos com esses discursos ou com suas histórias de vida. Terão de atuar nas campanhas de modo semelhante aos que eles derrotaram na eleição em que saíram vitoriosos. Ou seja, agora são realmente políticos e têm tão somente as realizações dos mandatos para manter fiel o eleitorado que os elegeu.  

Dos 12 de Goiás, dez admitem disputar reeleição. As exceções são os deputados federais Zacharias Calil e Vitor Hugo. Este já faz pré-campanha para o governo estadual, sob as bênçãos do presidente Jair Bolsonaro. O outro quer ser senador. 

Dois vislumbram governo e Senado 

Zacharias Calil foi o terceiro deputado federal mais votado e ânimo se acendeu para buscar o Senado pela chapa de Ronaldo Caiado. Foto: : Divulgação

O médico Zacharias Calil, desde o início do mandato, sempre afirmou que, por sua vontade, seria um único como deputado federal e que seu foco passou a ser o Senado. Ter sido o terceiro deputado mais votado nas eleições — conseguiu mais de 150 mil votos — acendeu seus ânimos, justamente por ser estreante na política e alcançar esse resultado. Embora não descarte a reeleição, ele é um dos pré-candidatos a senador do grupo do governador Ronaldo Caiado (UB).  

Ao Tribuna do Planalto, Zacharias ressaltou que é favorável às candidaturas isoladas ao Senado, mas, no caso de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a permissão, aguardará ainda a decisão de Caiado. “Sou pré-candidato e me sinto honrado pelo meu nome aparecer bem nas pesquisas de intenção de voto, mesmo sem ter visitado uma única cidade ou ter participado de evento para divulgar minha pré-candidatura”, diz ele, que é médico cirurgião e continua exercendo a medicina, sua “real profissão”.  

Vitor Hugo venceu disputa interna no PL, pela força que tem junto a Bolsonaro, e a direção estadual do partido — Flávio Canedo e a deputada federal Magda Mofatto — teve de recuar e retirar apoio à pré-candidatura de Gustavo Mendanha (Patriota) ao governo, e lançar o nome de confiança do presidente para lhe garantir palanque no estado.  

A pré-campanha de Vitor Hugo já tem até o nome ao Senado, o ex-senador Wilder Morais, que também se filiou ao PL. Juntos, eles lideram a Frente Conservadora de Goiás. Em eventos em clima de pré-campanha, o governadoriável trouxe a Goiás o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio (Jataí), e o presidente Bolsonaro, para motociata em Rio Verde. 

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