Por: Daniela Rezende
Maria da Luz Santos Ramos é formada em Pedagogia, Mestre e Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). É professora efetiva da Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME) desde 2008 e está à frente da Gerência de Projetos desde 2017. Na entrevista a seguir, concedida na sede da Secretaria, ela faz um balanço do Festival Arte Educação em 2018 e explica detalhes do evento, que é realizado desde 2012 na Capital.
O que é o Festival Arte Educação e desde quando ele é realizado?
Na rede, na verdade ele não era um Festival. Era a Mostra MAC, que reunia todos os trabalhos e todas as áreas, as diferentes linguagens nesse movimento. Aí, a partir de 2012, foi modificado e ficou como Festival de Arte Educação. Nós trabalhamos com três diferentes momentos: que são audiovisual (que seria uma mostra de curtas, feitas dentro da escola a partir do Projeto Político Pedagógico e dos projetos desenvolvidos dentro da escola), artes visuais (que aí a escola também tem a oportunidade de apresentar o que tem sido feito em relação às artes visuais dentro do espaço escolar, junto com as crianças) e um outro momento que é dança, música e teatro. A versão atual do Festival traz essas três linguagens diferentes.
E como foi o Festival este ano?
Nesse ano de 2018, nós estivemos no Museu de Arte. Nosso objetivo não é ter uma sala que as crianças coloquem expostos os seus trabalhos. Nosso objetivo é levar a criança dentro de uma galeria e fazer uma visitação e nessa visitação ela ter oportunidade, além de conhecer outras obras de arte e outros artistas, ela ter o seu trabalho exposto em um outro espaço. Esse ano fomos muito felizes. No Museu de Arte, no mês de outubro, tínhamos uma exposição em homenagem ao Aniversário de Goiânia, com pintores goianos. Nossos alunos visitaram primeiro essa exposição para depois ver a Mostra de trabalhos de arte visual, que ficou bacana. No ano passado, eram para ser três dias de Mostra e nós fomos convidados pelo Museu Antropológico da UFG a ficar com a exposição até o mês de dezembro. E não foi diferente este ano, o Museu de Arte nos convidou para ficar um mês. A comunidade goianiense tem assim a oportunidade de conhecer esses trabalhos, o que é feito na rede municipal. Vale ressaltar que os trabalhos do Festival não são feitos isoladamente. Todos tem um contexto, um objetivo. O que legal é trabalhar com as diferentes linguagens na escola. No encerramento, com música, dança e teatro, na última semana, dia 22 de novembro, vimos trabalhos muito bons, preocupados com a questão social, que estão incomodando não só a sociedade, mas também dentro da escola. Nossas crianças estão antenadas e atentas a essa realidade que tem sido o Brasil. Algumas apresentações mostraram muito isso: a conscientização do papel da mulher na sociedade, que Brasil é esse que estamos vivendo e querendo. Então, são temas atuais e que as crianças estão trabalhando para além da escola. É essa formação que temos que tentar, a formação integral do sujeito.
A SME define esses temas? Ou é aberto?
É aberto e pautado no projeto que é desenvolvido pela escola. Antigamente, o Festival tinha uma temática. A partir de 2012, o Festival passou a ter outra roupagem, onde cada escola apresenta aquilo que ela está trabalhando com os alunos. As escolas mandam o projeto para a gente. A equipe da gerência de projetos vai na escola, conhece o trabalho e orienta. Tudo é em cima do que é proposto pela escola.
Ele envolve quantas pessoas, entre professores, alunos e organizadores?
O Festival envolve em média de 15 a 20 mil pessoas, em todas as modalidades. Para Artes Visuais, não tivemos condições de atender mais instituições. Atendemos 14, por causa do espaço. Fazemos uma parceria com esses locais. Por exemplo, no teatro da PUC, atendemos em cada período 650 a 700 pessoas de plateia, fora os artistas. Então, na dança, música e teatro, atendemos mais de oito mil pessoas. Nas Artes Visuais, não temos como fazer essa contagem, porque as pessoas vão, visitam e saem. Mas tivemos uma participação muito grande de todas as instituições.

Já é um evento consolidado na Secretaria Municipal de Educação e Esporte? Tem escolas que pensam seus projetos e já pensam lá na frente no Festival?
Sim, já pensam na finalização desse Festival, que é o momento de mostrar o projeto desenvolvido. Achei muito legal o depoimento de uma criança de Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei), no teatro da PUC-GO. Ela nos falou que “não sabia expressar o sentimento que ela sentia em estar em um lugar tão bonito e apresentando daquele jeito”. O que é legal é nós temos apresentações desde os pequeninhos do Cmei até Educação de Adolescentes, Jovens e Adultos. O Festival é aberto para a escola como um todo e não só para o ensino fundamental. É um festival para a rede. E tem sido muito bem recebido pela rede como um todo.
E qual o ganho para esses alunos de participarem do Festival?
O ganho é justamente ampliar o repertório das crianças em relação à linguagem artística. Não basta ensinar a ler, escrever e fazer contas. Temos que realmente envolver o educando na sua integralidade. Esse sujeito deve ser integral. Ele não é só conhecimento sistematizado, mas é também a linguagem artística da dança, da expressão, da música. Tivemos apresentações belíssimas de crianças tocando violino, teve coral com crianças menores, parcerias de duas escolas apresentando juntas. Esse momento de integração e aprendizagem ao mesmo tempo faz a diferença, pensando nesse desenvolvimento integral do sujeito, que é assegurado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e também no Plano Nacional de Educação. Então, não é uma educação em tempo integral e sim uma educação integral, que é o objetivo de toda instituição de ensino.
Para o próximo ano, temos novidades?
Sim. Estamos com foco na aquisição e consolidação da base alfabética e por esse motivo, nosso meta para o próximo ano é a proposta do projeto de leitura. No projeto, que teria o objetivo maior de desenvolver a leitura, teremos as diferentes linguagens da arte. Faremos uma semana da leitura e, dentro dessa semana vai acontecer esses momentos: Festival de Audiovisual, Festival de Arte Educação e assim por diante. Estamos chamando de semana, mas não será uma semana, vai ser um trabalho que no decorrer do ano, com as diferentes linguagens.












