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Pesquisa da UFG mostra diferença de até 19°C entre bairros de Goiânia e relação com vulnerabilidade social

Pesquisa da UFG revela diferença de 19°C entre bairros de Goiânia e mostra como desigualdade social agrava efeitos do calor


Fábio Prado Por Fábio Prado em 13/08/2026 - 18:04

Pesquisa da UFG mostra diferença de 19°C entre bairros de Goiânia e relação com vulnerabilidade social
Pesquisa da UFG mostra diferença de 19°C entre bairros de Goiânia e relação com vulnerabilidade social - Foto: Reprodução/Internet

Estudo do IESA aponta que bairros periféricos também registram altas temperaturas; desigualdade socioeconômica agrava os efeitos do calor.

Uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás identificou uma diferença de até 19°C na temperatura da superfície entre bairros de Goiânia. O maior contraste foi registrado entre o Jardins do Cerrado, na região oeste, e o Residencial Aldeia do Vale, na região nordeste.

O estudo foi desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Geografia do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da UFG. A pesquisa foi orientada pela professora Gislaine Cristina Luiz e coorientada pelo professor Diego Tarley Ferreira Nascimento. A autora do trabalho é a pesquisadora Ana Cristina Araújo Foli.

A pesquisa analisou a distribuição das temperaturas na capital a partir de imagens termais obtidas por satélite. Os maiores índices de temperatura de superfície ficaram entre 36°C e 43°C. Essas áreas quentes se concentram principalmente na região central. No entanto, bairros periféricos também apresentam temperaturas elevadas.

Os bairros com maior variação térmica incluem Setor Garavelo, Setor Caravelas, Jardins Madri, Solange Park I e II, e Residencial São Marcos. A lista também abrange Lorena Parque, Carolina Parque, Residencial Goiânia Viva, Vila União e Residencial Fortville. Jardim Botânico, Parque Santa Rita, Village Santa Rita e Vila Mauá também estão entre os afetados. Na região noroeste, aparecem Conjunto Vera Cruz, Parque Eldorado Oeste, Setor das Nações e Residencial Junqueira.

A pesquisadora Ana Cristina explica que a cidade é um espaço construído com relações de poder. “Quando você pensa que a cidade é um espaço construído, ela vai envolver relação de poder e essas relações de poder vão moldar o espaço”, afirma. Ela compara bairros populares e residenciais de maior renda localizados na periferia. Mesmo com posição geográfica semelhante, as condições de moradia e acesso a serviços são diferentes.

A pesquisa conclui que é possível relacionar vulnerabilidade social e ilhas de calor em Goiânia. Os impactos do clima são definidos por fatores socioeconômicos em certas áreas da cidade. Moradores em situação de vulnerabilidade não têm as mesmas condições para enfrentar o calor. A renda é menor, a moradia é mais distante e o acesso a serviços públicos é mais limitado.

“Todos nas regiões de ilha de calor enfrentam a mesma situação. Não é que quem está no Aldeia do Vale não enfrente essa situação, só que as condições para lidar com esse calor são diferentes, e é aí que entra a vulnerabilidade”, afirma Ana Cristina.

A pesquisa sugere que a redução das desigualdades e o desenvolvimento de programas de saúde específicos podem ajudar.

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