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Trump cobra “medidas agressivas” do Brasil contra PCC e Comando Vermelho

Casa Branca afirma que facções brasileiras representam ameaça internacional, mas país ficou fora das listas formais de falha no combate às drogas


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 16/09/2026 - 16:15

Trump cobra “medidas agressivas” do Brasil contra PCC e Comando Vermelho

O governo de Donald Trump aumentou o tom contra o Brasil e passou a cobrar uma reação mais dura ao avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). Em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos, a Casa Branca afirma que o governo brasileiro “falhou em confrontar” as duas facções.

Segundo o relatório, o PCC e o Comando Vermelho transformaram o Brasil em um centro para o fluxo global de cocaína. O texto também classifica as organizações como uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais.

A cobrança foi direta. O governo norte-americano afirma que o Brasil precisa adotar com urgência “medidas firmes” ou “agressivas” para enfrentar e derrotar os grupos antes que eles se espalhem e se fortaleçam.

O documento foi encaminhado ao Congresso norte-americano na terça-feira (15). Esse tipo de relatório é produzido anualmente e apresenta uma avaliação sobre grandes produtores de drogas, rotas internacionais do narcotráfico e a atuação de governos estrangeiros no combate aos entorpecentes.

O Brasil entrou em alguma lista dos Estados Unidos?

Não. Apesar da crítica feita pela Casa Branca, o Brasil não foi incluído entre os 23 países classificados como grandes produtores de drogas ou importantes rotas de trânsito de entorpecentes.

Na relação aparecem países como México, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia e Equador. A inclusão nessa lista considera não apenas a atuação de cada governo, mas também fatores relacionados à localização geográfica, ao comércio e à economia.

O Brasil também ficou fora de outra classificação mais grave: a dos governos que, segundo os Estados Unidos, não fizeram esforços suficientes para cumprir seus compromissos antidrogas durante os últimos 12 meses.

Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia foram incluídos nesse segundo grupo. Portanto, embora tenha recebido uma reprimenda direta da Casa Branca, o Brasil não foi formalmente classificado como um país que “falhou de forma demonstrável” no cumprimento de suas obrigações.

Por que PCC e CV entraram no documento?

A menção às facções faz parte de uma pressão crescente do governo Trump sobre as duas organizações criminosas. Em maio, os Estados Unidos classificaram PCC e Comando Vermelho como “terroristas globais especialmente designados”.

Na avaliação de Washington, os grupos representam risco aos cidadãos, à segurança nacional, à política externa ou à economia dos Estados Unidos. O governo brasileiro, porém, rejeitou a classificação das facções como organizações terroristas.

O entendimento sobre o que constitui terrorismo não é igual em todos os países. A definição mais aceita costuma envolver violência deliberada contra civis com o objetivo de intimidar a população ou pressionar um governo, geralmente em nome de uma causa política ou religiosa.

Crítica ao Brasil é inédita no relatório recente

O Brasil não havia sido mencionado nominalmente no relatório divulgado em 2025. Na ocasião, as críticas norte-americanas ficaram concentradas principalmente em países como México, China, Colômbia e Venezuela.

Neste ano, mesmo sem colocar o Brasil nas listas oficiais, a Casa Branca reservou uma parte específica do documento para criticar o governo Lula e cobrar uma resposta mais dura contra as facções.

A declaração ocorre em um momento de atritos entre Brasília e Washington. Os dois governos enfrentaram divergências sobre tarifas comerciais, vistos e o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho.

Ao mesmo tempo, Lula e Trump mantiveram canais de diálogo. Em maio, os presidentes se reuniram na Casa Branca durante cerca de três horas e discutiram, entre outros temas, o combate ao crime organizado.

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Redação Tribuna do Planalto

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