Uma movimentação de aproximadamente R$ 154 milhões em notas fiscais emitidas por empresas suspeitas está no centro de uma investigação da Polícia Civil de Goiás. A Operação Crédito Fantasma apura um possível esquema de sonegação de impostos que teria provocado prejuízo superior a R$ 23 milhões aos cofres públicos. Segundo a polícia, uma rede de supermercados sediada em Jataí teria utilizado cerca de dez empresas de fachada para simular compras e vendas. Essas pessoas jurídicas são conhecidas como “noteiras” porque, embora apareçam formalmente como responsáveis pelas operações, são suspeitas de serem usadas para a emissão de documentos fiscais sem uma transação comercial verdadeira.
A suspeita é de que as notas tenham sido utilizadas para gerar créditos indevidos de ICMS. Na prática, as operações registradas nos documentos teriam permitido que a rede investigada reduzisse irregularmente o valor do imposto que deveria ser pago ao Estado.
Para buscar provas sobre o funcionamento do suposto esquema, a Polícia Civil cumpre 18 mandados de busca e apreensão em Goiânia e Jataí. As diligências são realizadas em residências, empresas e escritórios de contabilidade relacionados à investigação.
Durante as buscas, os agentes procuram computadores, celulares, documentos contábeis e outros materiais que possam ajudar a identificar as operações realizadas e os possíveis participantes.
Força-tarefa reúne 90 policiais
A Operação Crédito Fantasma é realizada pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária, com a participação de policiais civis de Rio Verde e o apoio da Secretaria de Estado da Economia de Goiás.
Ao todo, 90 policiais civis foram mobilizados para cumprir as determinações judiciais. Auditores fiscais também participam da ação e serão responsáveis por analisar o material apreendido e aprofundar o cálculo dos valores que teriam sido sonegados.
Até o momento, a estimativa é de que o prejuízo ao Estado ultrapasse R$ 23 milhões. Esse número, no entanto, poderá ser atualizado depois da auditoria e da análise dos documentos recolhidos.
Os nomes da rede de supermercados, das empresas suspeitas e das pessoas investigadas não foram divulgados no material apresentado pela Polícia Civil.
Os envolvidos poderão responder por crimes contra a ordem tributária, falsidade ideológica e associação criminosa. A responsabilização dependerá do avanço das investigações e da apuração da participação de cada suspeito no esquema.
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