O Estadão Verifica confirmou a aprovação alcançada por Ronaldo Caiado (PSD) à frente do Governo de Goiás e o pioneirismo do Estado na criação de políticas voltadas à inteligência artificial. A checagem, publicada nesta quinta-feira (3) também contestou declarações do candidato à Presidência sobre segurança pública, reforma tributária, incentivos fiscais, terras raras e Operação Lava Jato.
Das nove afirmações analisadas, duas foram consideradas verdadeiras, cinco receberam a classificação de enganosas e outras duas foram avaliadas como carentes de contexto.
Ao dizer que deixou o Governo de Goiás com “88% de aprovação”, Caiado apresentou um dado confirmado pela pesquisa Genial/Quaest de agosto de 2025. Levantamento posterior do Paraná Pesquisas, divulgado em abril de 2026, registrou aprovação de 84,7%.
O jornal também validou a declaração de que Goiás avançou nas discussões sobre inteligência artificial em 2019 e já possui uma legislação sobre o tema. O Estado criou naquele ano o Centro de Excelência em Inteligência Artificial, em parceria com a Universidade Federal de Goiás, e instituiu, em 2025, a Política Estadual de Fomento à Inovação em Inteligência Artificial.
Na segurança pública, porém, foi considerada enganosa a afirmação de Caiado de que as facções criminosas possuem mais homens armados do que as forças de segurança brasileiras. Dados citados pelo Estadão mostram que o País possui 818.521 agentes de segurança, enquanto PCC e Comando Vermelho somam entre 60 mil e 70 mil integrantes.
A declaração de que, “em Londres, não tem policial com arma” e que os agentes usam “cassetete e apito” foi classificada como carente de contexto. Embora a maioria dos policiais britânicos não porte armas de fogo rotineiramente, há unidades especializadas e 6.558 agentes estavam autorizados a utilizar armamento.
Impostos e incentivos fiscais
Caiado também declarou que o cidadão paga atualmente 5% de ISS e passará a pagar 28% após a reforma tributária. A afirmação foi considerada enganosa porque o novo IVA reunirá cinco tributos e será implantado gradualmente até 2033, além de prever tratamentos diferentes para determinados produtos e serviços.
Outra fala contestada foi a de que seu governo cortou R$ 3 bilhões em incentivos fiscais. Conforme o levantamento apresentado pelo jornal, as isenções em Goiás passaram, em valores corrigidos pela inflação, de R$ 10,8 bilhões em 2018 para R$ 10,2 bilhões em 2025, uma redução de aproximadamente R$ 600 milhões.
A checagem ainda classificou como enganosa a declaração de que o governo federal não sabia o que eram terras raras pesadas. O tema já aparecia em documentos e discussões oficiais antes da chegada de Caiado ao governo, incluindo um plano nacional de mineração elaborado em 2011.
Ao afirmar que possui 40 anos de vida pública “sem nenhuma mácula ou envolvimento com corrupção”, Caiado recebeu a classificação “falta contexto”. O jornal lembrou que ele foi condenado em primeira instância por abuso de poder político, mas teve a inelegibilidade revertida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. A multa de R$ 60 mil pelo uso indevido do Palácio das Esmeraldas foi mantida.
Também foi considerada enganosa a afirmação de que “uma semana antes” da eleição de 2014 “começou um rumor” sobre a Operação Lava Jato e que, após Dilma Rousseff ser eleita, “em poucos dias, veio à tona tudo aquilo”. A primeira fase da operação ocorreu em março de 2014, sete meses antes do pleito.










