A modernização de parte dos ônibus da frota do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia já resultou na redução de 8.072,41 toneladas de CO₂ equivalente por ano, segundo auditoria técnica inédita realizada pelo Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade. O estudo avaliou os impactos da primeira fase do Projeto Nova RMTC e aponta também redução de 84,2% nas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) e de 79,4% no material particulado nos corredores e eixos contemplados pela renovação da frota.
O levantamento considera a substituição de 539 ônibus antigos, equipados com tecnologia Euro III, por veículos de menor emissão. Na primeira etapa, foram incorporados 54 ônibus elétricos articulados, três veículos movidos a biometano e 477 ônibus convencionais com tecnologia Euro VI, padrão mais moderno de controle de emissões.
De acordo com o estudo, a redução das emissões de gases de efeito estufa corresponde a 18,4% em relação ao cenário anterior. A nova configuração da frota também evita a queima de aproximadamente 3,16 milhões de litros de óleo diesel por ano.
Os resultados ganham relevância diante das condições climáticas da região. O estudo destaca que, entre maio e setembro, o Cerrado enfrenta um período prolongado de estiagem, com episódios de baixa umidade e inversão térmica, condições que favorecem a concentração de poluentes na atmosfera urbana.
Impacto na saúde
Além dos efeitos ambientais, a auditoria buscou calcular o impacto da redução da poluição sobre a saúde da população. Para isso, utilizou a metodologia internacional Impact Pathway Approach (IPA), desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A estimativa é de uma economia anual de R$ 3,75 milhões associada à redução de doenças e agravos relacionados à poluição do ar. Desse valor, aproximadamente R$ 1,05 milhão corresponde à economia direta para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Os outros R$ 2,70 milhões representam ganhos econômicos indiretos, relacionados principalmente à redução de afastamentos do trabalho, aumento da produtividade e diminuição de mortes prematuras.
O estudo também aponta redução significativa da poluição sonora. Nos corredores e eixos de BRT avaliados, os ônibus elétricos apresentam mais de 75% de redução na pressão sonora percebida, em comparação com os veículos convencionais.
Para Miguel Angelo Pricinote, mestre em Transporte e fundador do Mova-se Fórum de Mobilidade, os resultados mostram que a renovação da frota produz efeitos que ultrapassam a questão operacional.
“A substituição tecnológica da frota da RMTC não é apenas uma atualização de ativos operacionais. Trata-se de uma política pública integrada de saúde ambiental, transição energética justa e melhoria direta na eficiência tarifária do sistema metropolitano”, afirma.
Projeção para 2027
O levantamento também projeta os efeitos da ampliação da modernização da frota até 2027. A previsão é que 1.200 ônibus estejam contemplados pela transição tecnológica, sendo 65 elétricos articulados, 500 movidos a biometano e 635 veículos Euro VI.
Nesse cenário, o impacto econômico relacionado aos benefícios para a saúde pública poderá chegar a R$ 21,94 milhões por ano, segundo a projeção apresentada pelo Mova-se.
Outro ponto destacado pela auditoria é a utilização do biometano como alternativa ao diesel. O combustível pode ser produzido a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos e do tratamento de efluentes, incluindo materiais provenientes do Aterro Sanitário Metropolitano.
Para o fórum, a estratégia cria uma lógica de economia circular ao transformar resíduos que seriam passivos ambientais em fonte de energia para o transporte coletivo.
“A consolidação dessa estratégia poderá transformar a Grande Goiânia em um laboratório de referência nacional em transição energética e sustentabilidade urbana”, avalia Pricinote.
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