Goiás foi o estado onde o presidente Lula mais cresceu em pontos percentuais na votação do primeiro para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro (PL) registrou a terceira maior queda proporcional entre os dois candidatos no estado, segundo levantamento do Radar do Voto. O resultado chama a atenção porque o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que disputou o primeiro turno e terminou em quinto lugar, declarou apoio a Flávio na etapa final da eleição.
No primeiro turno, Lula recebeu 1.188.880 votos em Goiás, o equivalente a 31,06% dos votos válidos. Flávio somou 2.051.888 votos, ou 53,60%. Já no segundo turno, o petista alcançou 1.585.555 votos, correspondentes a 40,34%, enquanto o candidato do PL chegou a 2.345.334 votos, com 59,66%.
Com isso, Lula avançou 9,28 pontos percentuais no estado, maior crescimento entre as unidades da Federação. Flávio também ampliou sua votação absoluta, mas o aumento foi menor: recebeu 293.446 votos a mais, contra 396.675 votos adicionais do adversário. Assim, o petista conquistou 103.229 votos a mais que Flávio no intervalo entre as duas votações.

Goiás registra maior avanço de Lula no segundo turno e 3ª maior queda de Flávio entre turnos
O crescimento de Lula em Goiás foi superior ao observado em qualquer outro estado. São Paulo aparece em segundo lugar no ranking, com avanço de 7,95 pontos percentuais, seguido pelo Distrito Federal, onde o petista cresceu 7,61 pontos.
O desempenho goiano, entretanto, não foi suficiente para garantir a vitória do presidente reeleito no estado. Flávio terminou o segundo turno com 59,66% dos votos válidos, contra 40,34% de Lula. O candidato do PL venceu em 205 municípios goianos, enquanto o petista ganhou em 41.
A comparação dos votos absolutos também mostra que os dois candidatos ampliaram suas votações. No entanto, Lula teve um acréscimo maior, o que reduziu a distância entre os adversários em Goiás. O resultado também precisa ser analisado considerando a redistribuição dos votos dos candidatos eliminados no primeiro turno. Entre eles estava Caiado, que recebeu 12,33% dos votos válidos no estado e, posteriormente, declarou apoio a Flávio Bolsonaro.
O gráfico do Radar do Voto aponta que Goiás teve a terceira maior queda de Flávio Bolsonaro entre o primeiro e o segundo turno, com recuo de 3,6 pontos percentuais. O Rio de Janeiro lidera a lista, com diminuição de 4,3 pontos, seguido por São Paulo, com queda de 3,7 pontos.
A comparação do gráfico considera a proporção dos votos concentrada nos dois candidatos finalistas no primeiro turno e a votação obtida por cada um no segundo. Por isso, os percentuais apresentados diferem dos resultados totais do primeiro turno, que também incluem os votos destinados aos candidatos que não avançaram para a etapa final.
Em Goiás, por exemplo, Flávio tinha 63,3% dos votos quando a comparação considera apenas os votos recebidos por ele e por Lula no primeiro turno. No segundo, alcançou 59,66% dos votos válidos. A diferença indica uma redução de sua participação relativa na disputa entre os dois finalistas, embora tenha recebido mais votos em números absolutos.
O resultado contrasta com o apoio declarado por Caiado, que havia defendido uma renovação política e se posicionou a favor da candidatura do PL. Os números, porém, não permitem atribuir diretamente ao ex-governador a mudança no comportamento eleitoral, nem determinar quais eleitores seguiram sua orientação.

Caiado reconhece vitória de Lula
Após a confirmação da vitória de Lula, no domingo (25), Caiado reconheceu o resultado da eleição durante entrevista coletiva em Goiânia. O ex-governador afirmou que esperava uma renovação política no país, mas ressaltou que os democratas devem respeitar a decisão das urnas.
“Uma renovação. Era esse o ponto que todos nós lutamos favoravelmente a ele. Era buscar essa virada de página. Acreditamos nessa ideia. Mas nós, eh, como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e a decisão, eh, da apuração. Essa sempre foi a nossa característica”, declarou.
O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), também reconheceu o resultado e classificou a decisão das urnas como soberana. Ele manifestou a expectativa de que o presidente reeleito promova as transformações necessárias para a população.










