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Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito” após deixar o Brasil e promete liderar oposição dos EUA

Em carta divulgada por aliados, senador derrotado por Lula acusa o STF de perseguição política, questiona resultado das urnas sem apresentar provas e agradece a Donald Trump e Javier Milei


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 28/10/2026 - 18:01

Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito” após deixar o Brasil e promete liderar oposição dos EUA
Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito” após deixar o Brasil e promete liderar oposição dos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se declarou “presidente eleito” do Brasil em uma carta divulgada nesta quarta-feira (28) por aliados nos Estados Unidos. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), ele afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir do exterior e voltou a questionar o resultado das urnas sem apresentar provas de fraude.

As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo, que teve acesso ao conteúdo da manifestação atribuída ao senador. O documento foi divulgado por pessoas próximas à família Bolsonaro nos Estados Unidos, entre elas o comentarista político Paulo Figueiredo e o ex-policial militar André Porciuncula.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, declarou Flávio no texto.

A manifestação representa uma mudança de postura em relação às declarações anteriores do senador. Na véspera, ele havia afirmado que desistiria de tentar anular a eleição e negado que pretendesse deixar o país.

Flávio chegou a Miami nesta quarta-feira, depois de sair do Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião particular que fez escala no Equador. Ele viajou acompanhado da família.

Senador fala em perseguição política e critica o STF

Na carta, Flávio Bolsonaro justificou a saída do Brasil como uma reação ao que classificou como perseguição política. O senador também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que pretende continuar sua atuação política nos Estados Unidos.

“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, afirmou.

O senador agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao governo americano por receberem sua família. Também manifestou reconhecimento ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela passagem pelo país antes de seguir para os Estados Unidos.

Segundo a reportagem da Folha, uma autoridade do Departamento de Estado americano confirmou que o governo concederia vistos a Flávio e a seus familiares. Na noite de terça-feira (27), Trump havia afirmado que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, embora dissesse desconhecer seu paradeiro naquele momento.

Flávio afirmou que levou a família para o exterior por considerar que não há mais segurança jurídica no Brasil.

“Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança”, declarou.

Flávio volta a questionar resultado das eleições

O senador voltou a contestar o resultado do segundo turno, no qual Lula venceu por uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos.

Um dos principais alvos das críticas foi a decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação. Flávio acusou o STF de interferir nas atribuições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e alegou que a medida teria favorecido o presidente reeleito.

Na carta, ele também questionou o crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno, mas não apresentou evidências que sustentem a acusação de fraude. A variação da votação entre as duas etapas, por si só, não comprova irregularidade eleitoral.

O senador ainda acusou a campanha petista de abuso de poder político e econômico e de utilizar a máquina pública para favorecer a reeleição. Segundo ele, essas supostas irregularidades justificariam a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

As acusações não foram acompanhadas de provas no documento divulgado pelos aliados.

Viagem ocorre após decisão de Alexandre de Moraes

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega dos passaportes do senador no âmbito de uma investigação sobre sua relação com o advogado Willer Tomaz.

A medida judicial não equivale a uma ordem de prisão. Flávio nega irregularidades.

Na carta, o senador afirmou que considera a apreensão dos documentos o primeiro passo de uma possível sequência de medidas judiciais contra ele, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e condenação.

Sem citar diretamente Moraes em todos os trechos, Flávio acusou integrantes do Judiciário de tentar silenciar a oposição e classificou as medidas adotadas contra ele como uma “caça às bruxas politicamente motivada”.

O senador também comparou sua situação à de figuras históricas que viveram no exílio, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de mencionar opositores políticos venezuelanos.

Flávio promete comandar oposição dos Estados Unidos

Um dos principais recados da carta foi direcionado a parlamentares e governadores aliados. Flávio afirmou que pretende assumir a liderança da oposição brasileira a partir dos Estados Unidos e citou especialmente o senador Rogério Marinho (PL-RN), a quem chamou de seu candidato à presidência do Senado.

“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, declarou.

O senador afirmou que pretende divulgar manifestações regulares e apresentar uma estratégia para mobilizar os apoiadores do grupo político.

“Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos”, afirmou.

Flávio, no entanto, não detalhou quais medidas pretende adotar nem informou se solicitará asilo político nos Estados Unidos. Também não apresentou previsão de retorno ao Brasil.

Ao encerrar a carta, o senador afirmou que continuará atuando politicamente mesmo fora do país.

“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre”, concluiu.

 

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