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Flávio Bolsonaro supera cenário das principais pesquisas e chega ao segundo turno à frente de Lula

Candidato do PL inverte vantagem numérica registrada por Datafolha e Quaest; disputa pelo Planalto será decidida em 25 de outubro


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 05/10/2026 - 12:00

Flávio supera cenário das principais pesquisas e chega ao segundo turno à frente de Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega ao segundo turno da eleição presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), invertendo a ordem registrada pelas principais pesquisas divulgadas na véspera da votação. Com 97,36% das seções totalizadas, o candidato do PL tinha 47,39% dos votos válidos, contra 44,74% do petista. A disputa será decidida em 25 de outubro.

Na atualização das 20h57 deste domingo (4), Flávio somava 55.173.543 votos, enquanto Lula registrava 52.091.006. A diferença era de pouco mais de 3 milhões de votos. A contagem ainda prosseguia no fechamento desta edição.

O resultado muda a posição dos dois na disputa. Flávio abre a próxima etapa com a vantagem de quem terminou à frente na votação. Lula, que buscava confirmar nas urnas a liderança numérica dos levantamentos, terá de recuperar terreno para conquistar um quarto mandato.

A distância impõe tarefas diferentes. O senador tentará preservar a dianteira e reunir o eleitorado das candidaturas de direita que ficaram pelo caminho. O presidente precisa ampliar sua votação enquanto enfrenta um adversário fortalecido pelo resultado. A capacidade de atrair esses eleitores passa a importar mais que a posição ocupada nas pesquisas anteriores.

A inversão nas urnas

Na última pesquisa Datafolha, Lula aparecia com 45% dos votos válidos e Flávio, com 42%. A diferença configurava empate técnico, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu 4.006 eleitores em 2 e 3 de outubro, em 122 municípios.

A Quaest também mostrava o presidente numericamente à frente, com 46%, contra 45% do senador. Nesse caso, a distância era ainda menor e igualmente estava dentro da margem de erro. A surpresa está no desempenho de Flávio e na inversão da ordem, sem que isso permita dizer que os levantamentos apontavam vitória assegurada do petista.

O Datafolha já havia captado uma aproximação na reta final: Flávio passou de 40% para 42% dos válidos entre os dois últimos levantamentos, enquanto Lula permaneceu em 45%. As urnas mostraram o candidato do PL acima desse patamar. Identificar quanto dessa diferença veio de mudança de voto, abstenção ou limitações da pesquisa exige uma análise posterior.

Antes mesmo da apuração, Flávio apostava na migração de eleitores de outras candidaturas. Ao votar no Rio de Janeiro, afirmou: “Tem um movimento claro de voto de revolta já nesse primeiro turno”. A declaração expressava a leitura de sua campanha sobre a reta final.

Caiado fora da disputa

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparecia em quinto lugar, com 2.568.518 votos e 2,21% dos válidos. Estava atrás do escritor Augusto Cury (Avante), com 2,91%, e de Renan Santos (Missão), que registrava 2,26%. Romeu Zema (Novo) tinha 0,28%.

A votação deixa Caiado fora do segundo turno e abre a negociação sobre o destino político de sua candidatura. Ao votar neste domingo, o ex-governador disse que só discutiria apoio depois da apuração.

O desempenho nacional contrasta com o resultado de seu grupo em Goiás. Daniel Vilela (MDB) conquistou a reeleição no primeiro turno, enquanto Gracinha Caiado (União Brasil) assegurou uma cadeira no Senado. Caiado encerra a candidatura presidencial com aliados eleitos no estado, uma estrutura que pode pesar nas conversas sobre o segundo turno.

Disputa por aliados

Flávio já prepara uma reunião com aliados para quarta-feira (7), com a intenção de reunir governadores, senadores e deputados eleitos. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a campanha também pretende atrair candidatos derrotados, entre eles Caiado, Cury e Zema.

Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, está entre as prioridades do senador. A campanha espera ampliar sua votação com a participação do governador eleito Cleitinho (Republicanos) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), além de organizar novas agendas no Sudeste.

A vantagem do primeiro turno dá ao senador força nessa negociação, mas não transfere automaticamente os votos dos demais candidatos. Para Lula, a tarefa será ampliar o apoio além do eleitorado que o acompanhou neste domingo. Os dois terão três semanas para disputar os votos que faltaram.

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