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Goiânia arrecada R$ 600 milhões a menos que o previsto em 2025

ISS superou a meta e firmou-se como a principal receita própria do município, enquanto IPTU e ITBI ficaram abaixo do estimado


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 25/01/2026 - 08:30

FPM, principal repasse da União, ficou abaixo do projetado pela capital

A arrecadação de Goiânia em 2025 somou cerca de R$ 10 bilhões, valor R$ 600 milhões inferior à previsão de R$ 10,6 bilhões fixada na Lei Orçamentária Anual (LOA). O desempenho, que resultou em execução de aproximadamente 94,6% do orçamento, indica que a receita ficou abaixo do estimado na peça orçamentária elaborada pela gestão anterior.

O balanço dialoga com o discurso adotado ao longo do primeiro ano da gestão do prefeito Sandro Mabel (UB), que atribuiu reiteradamente o descompasso entre previsão e execução à forma como o orçamento de 2025 foi elaborado pela administração anterior, comandada por Rogério Cruz (SD).

Em novembro de 2025, a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) afirmou, em nota à Tribuna, que a LOA herdada teria superestimado a receita em cerca de R$ 1 bilhão, e que a proposta orçamentária para 2026 buscou corrigir esse desequilíbrio com premissas consideradas mais realistas.

Os dados indicam que o Município apresentou resultado consistente em rubricas associadas à atividade econômica, enquanto o descolamento entre previsão e desempenho efetivo ficou concentrado principalmente nos impostos patrimoniais, além de parte das receitas que dependem de fatores externos.

Patrimônio

No Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a arrecadação ficou cerca de 16% abaixo da meta. A LOA estimava aproximadamente R$ 1,42 bilhão somando principal, dívida ativa, multas e juros, mas a execução fechou em torno de R$ 1,19 bilhão.

O principal componente do imposto arrecadou R$ 1,06 bilhão, frente a uma previsão de R$ 1,26 bilhão, concentrando a maior parcela da frustração. Embora multas e juros tenham apresentado desempenho pontualmente superior ao esperado, esses valores não foram suficientes para compensar a queda no faturamento regular do tributo.

Situação semelhante foi registrada no Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), com frustração de 24% nesta receita. O imposto tinha previsão próxima de R$ 497 milhões, mas arrecadou R$ 376,5 milhões no componente principal ao longo do exercício.

As receitas acessórias, como multas, juros e dívida ativa, apresentaram variações positivas residuais, mas o quadro agregado permaneceu bem abaixo do projetado, refletindo um ano de menor dinamismo no mercado imobiliário e impacto direto sobre o imposto municipal.

Atividade econômica

Em sentido oposto, os tributos vinculados à atividade econômica sustentaram o desempenho da arrecadação própria e funcionaram como contrapeso às frustrações nos impostos patrimoniais. O Imposto Sobre Serviços (ISS), que passou a ser a principal receita própria do Município após a atualização do Código Tributário Municipal, em 2022, superou a previsão orçamentária e se manteve como a principal fonte de receita do município.

Apenas no componente principal, o ISS arrecadou R$ 1,44 bilhão, acima da previsão de R$ 1,40 bilhão, e, quando somadas as receitas de dívida ativa, multas e juros, o tributo ultrapassou R$ 1,50 bilhão em 2025.

O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) apresentou desempenho 33% acima do esperado em 2025. O resultado do IRRF incidente sobre rendimentos do trabalho somou R$ 689,8 milhões, frente a uma previsão de R$ 520,1 milhões, com reforço adicional proveniente de outros rendimentos.

Repasses estaduais

Os repasses do Estado de Goiás encerraram 2025 acima do previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). A cota-parte do ICMS principal somou R$ 979,3 milhões, cerca de 11% acima da previsão de R$ 880,7 milhões, enquanto o IPVA arrecadou R$ 636,8 milhões, aproximadamente 9% acima do valor orçado.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) para comentar os números e questionar se o dado orçamentário ficou dentro do cenário projetado pela atual administração, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Transferências da União ficam abaixo explicam parte da frustração de receitas

A execução das transferências da União para Goiânia em 2025 ficou abaixo do patamar previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) e ajudou a explicar parte da frustração de receitas registrada no exercício. Embora algumas rubricas federais tenham superado a previsão inicial, o resultado global foi pressionado principalmente pelo desempenho do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e por repasses regulares das áreas de saúde e assistência social.

O principal descolamento ocorreu no FPM, maior transferência constitucional da União. A LOA previa R$ 797,6 milhões na cota mensal, mas a execução encerrou o ano em R$ 648,3 milhões, frustração de cerca de R$ 149 milhões. Mesmo com o cumprimento da previsão das cotas extraordinárias, que somaram R$ 79,9 milhões, o desempenho da cota regular impediu que o fundo atingisse o volume orçado.

Nas transferências da saúde, o desempenho foi desigual entre os blocos. Enquanto a Atenção Especializada superou a previsão e arrecadou R$ 719,7 milhões, acima dos R$ 681,5 milhões previstos, a Atenção Básica fechou o ano em R$ 114,7 milhões, abaixo da estimativa de R$ 146,8 milhões. A Vigilância em Saúde também ficou aquém da meta, com R$ 42,0 milhões para uma previsão de R$ 56,9 milhões, assim como Assistência Farmacêutica e Gestão do SUS, que encerraram o exercício abaixo do programado.

Na educação, a execução apresentou comportamentos mistos. O Salário-Educação superou a previsão e alcançou R$ 59,2 milhões, frente a R$ 44,2 milhões orçados, enquanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) arrecadou R$ 17,8 milhões, abaixo dos R$ 20,2 milhões previstos. Na assistência social, os repasses do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) somaram R$ 8,4 milhões, bem abaixo da previsão de R$ 14,3 milhões.

Algumas exceções ajudaram a atenuar parcialmente o quadro, como a complementação da União ao Fundeb (VAAR), que arrecadou R$ 50,7 milhões, acima da previsão de R$ 31,1 milhões, e os recursos da Política Nacional Aldir Blanc, executados integralmente após ajustes. Ainda assim, o balanço indica que o volume transferido pela União ficou aquém do desenhado na LOA.

Embora o Portal da Transparência registre entradas superiores a R$ 10,9 bilhões, após os ajustes contábeis a arrecadação efetiva de Goiânia em 2025 fica em torno de R$ 10 bilhões.

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