O valor necessário para garantir um padrão de vida básico e decente não é o mesmo em todas as regiões de Goiás. Um estudo do Anker Research Institute (ARI), em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), mostra que o salário digno em Goiás varia de R$ 2.590 a R$ 2.907 por mês, dependendo da região analisada.
Os dados, referentes a junho de 2025, também revelam diferenças importantes quando o cálculo considera a renda necessária para uma família de quatro pessoas. Nesse caso, os valores variam de R$ 4.022 a R$ 4.607.
Quanto é o salário digno em cada região de Goiás?
O levantamento dividiu o Estado em três macrorregiões para calcular o chamado salário digno, considerando os custos básicos de vida e a quantidade média de trabalhadores por domicílio.
- Centro, Leste, Noroeste e Norte de Goiás: R$ 2.590;
- Sul Goiano: R$ 2.907;
- Goiânia e região metropolitana: R$ 2.854.
Apesar de Goiânia e a região metropolitana apresentarem o maior custo mensal para uma família, o salário digno individual é ligeiramente maior no Sul Goiano.
Segundo o estudo, uma das explicações está na quantidade estimada de trabalhadores em tempo integral por família. Na capital e região metropolitana, a média considerada é de 1,76 trabalhador por domicílio, enquanto nas demais macrorregiões o cálculo considera 1,69 trabalhador.
Renda digna chega a R$ 4,6 mil em Goiânia
Quando o cálculo considera uma família de quatro pessoas, as diferenças ficam ainda mais evidentes.
A renda digna mensal foi estimada em:
- R$ 4.022 nas regiões Centro, Leste, Noroeste e Norte;
- R$ 4.501 no Sul Goiano;
- R$ 4.607 em Goiânia e na região metropolitana.
A renda digna representa o valor necessário para que uma família consiga arcar com suas necessidades básicas e manter um padrão de vida considerado adequado.
O que entra no cálculo?
A metodologia considera despesas com alimentação nutritiva, moradia adequada, transporte, saúde, educação, vestuário, comunicação, cultura e outras necessidades essenciais.
O cálculo também inclui uma margem de 5% para gastos inesperados. No caso do salário digno bruto, são consideradas ainda as contribuições obrigatórias do trabalhador, como INSS e Imposto de Renda.
O estudo utilizou a Metodologia Anker®, aplicada a informações de pesquisas domiciliares do IBGE e outras fontes nacionais.
“Os resultados mostram que as condições econômicas e familiares não são iguais em todo o estado. O custo total de uma família é mais elevado em Goiânia e na região metropolitana, enquanto o valor necessário por trabalhador fica um pouco maior no Sul Goiano, porque tem menos pessoas, na média, contribuindo para a renda da família. A composição dos domicílios e a dinâmica do mercado de trabalho ajudam a explicar essas diferenças”, afirma Ian Prates, diretor da Iniciativa ARI-Cebrap.
Estudo divide Goiás em três macrorregiões
Para realizar a análise, o estudo agrupou as cinco mesorregiões do IBGE em três áreas de salário e renda digna.
- A GO01 reúne Centro Goiano, Leste Goiano, Noroeste Goiano e Norte Goiano. Essa área concentra 42% da população estadual analisada.
- A GO02 corresponde ao Sul Goiano, que representa 21% da população.
- Já a GO03 engloba Goiânia e sua região metropolitana, responsável por 37% da população analisada.
Para Ian Prates, a divisão territorial permite identificar diferenças que podem desaparecer quando se utiliza apenas uma média para todo o Estado.
“A territorialização permite observar diferenças que desaparecem quando se trabalha apenas com uma média estadual ou nacional. O indicador oferece uma referência mais próxima da realidade de cada região e pode contribuir para negociações, políticas públicas e estratégias empresariais de remuneração”, explica.
Salário digno não substitui salário mínimo
O relatório faz parte da iniciativa Salário Digno Brasil, desenvolvida pelo Anker Research Institute e pelo Cebrap.
Os valores são referências técnicas para mostrar quanto seria necessário para cobrir as despesas essenciais em diferentes regiões. Eles não substituem o salário mínimo, negociações coletivas ou políticas públicas de remuneração.
O estudo teve apoio da EDP South America e da Jalles Machado. O relatório completo está disponível no site do Anker Research Institute.
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