País autorizou equipes de apenas quatro nações após tremor que deixou 265 mortos; governo de extrema direita nega ter usado critério político.
O governo colombiano limitou a entrada de equipes estrangeiras de busca e resgate a apenas quatro países: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador. A decisão foi anunciada na quarta-feira (12) pelo diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres, David Tamayo. A restrição deixou de fora a oferta de apoio feita pelo Brasil poucos dias antes.
O terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira (10). O tremor já deixou 265 mortos, cerca de 3,5 mil feridos e mais de 500 desaparecidos. O epicentro foi identificado em San José del Palmar, no departamento de Chocó. O abalo se propagou por grande parte do território nacional, sendo sentido em Bogotá, Medellín, Quibdó, Manizales, Pereira e Cali.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu apoio à Colômbia ainda na segunda-feira (10). O mandatário brasileiro disse que recebeu a notícia com preocupação. O Itamaraty reforçou o gesto, mas o Brasil foi ignorado. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o chanceler colombiano. O Brasil deve enviar purificadores de ar, medicamentos e alimentos, mas ainda não há data definida.
Escolha de aliados
Os quatro países autorizados são ideologicamente alinhados ao novo governo colombiano. Abelardo de la Espriella, presidente de extrema direita, tomou posse no dia 7 de agosto. A seleção ocorreu dois dias depois de Lula publicar uma mensagem de solidariedade nas redes sociais.
O chanceler colombiano, Omar Bula, negou ter usado critérios políticos para a escolha. Ele afirmou que a administração trabalha com diferentes países sem nenhuma consideração ideológica ou política. Segundo ele, só poderão entrar na Colômbia socorristas certificados internacionalmente.
A justificativa oficial, porém, não convenceu analistas. Os quatro países escolhidos são todos governados por líderes de extrema direita. O governo mexicano também afirmou que mantinha uma equipe especializada pronta para viajar, mas Bogotá exigiu uma certificação adicional. A China criticou a demora para organizar a cooperação internacional.
Aliança militar com os EUA
O governo colombiano vem estreitando os laços militares com Washington. Do Panamá, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou a autorização para operações militares conjuntas. A Colômbia passará a integrar a Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C), braço operacional do Escudo das Américas. A articulação foi lançada pelo presidente Donald Trump em março.
O Departamento de Estado dos EUA deve destinar cerca de US$ 1 bilhão em assistência de segurança à Colômbia. Os Estados Unidos já haviam anunciado US$ 15,5 milhões em ajuda para abrigos de emergência, alimentos e proteção.
LEIA MAIS:
Flávio admite encontro com Vorcaro após prisão e diz que foi encerrar aporte a filme de Bolsonaro














