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Investigação de fraude bilionária mostra Goiânia como ponto de fuga de hacker suspeito

Pessoa apontada como articulador do esquema deixou o país em jato fretado que partiu da capital goiana dias após invasão que desviou cerca de R$ 600 milhões via Pix


Por Carlos Nathan Sampaio em 21/05/2026 - 11:20

Investigação de fraude bilionária mostra Goiânia como ponto de fuga de hacker suspeito
(Foto: Reprodução)

A investigação sobre o maior ataque hacker já registrado no Brasil colocou Goiânia no centro da rota de fuga de suspeitos acusados de participar de um esquema milionário de desvio de recursos do sistema financeiro nacional. Segundo documentos do processo, um dos investigados, identificado como “Breu”, deixou o país em um jato fretado que partiu do Aeroporto Santa Genoveva, na capital goiana, poucos dias após a invasão cibernética que teria desviado cerca de R$ 600 milhões por meio de operações envolvendo o Pix.

Breu, que é paraense e domiciliado em Goiânia, é apontado pela investigação como um dos principais envolvidos no esquema. Conforme os autos, ele deixou o Brasil acompanhado da esposa, Thaís Penalva Lima, e do irmão logo após o ataque hacker. O voo fez escala em Curitiba antes de seguir para San Fernando, na Argentina.

As investigações apontam que o grupo utilizou uma complexa rede de movimentações financeiras para ocultar a origem do dinheiro desviado. Os valores passaram por múltiplas contas bancárias em ao menos 29 instituições financeiras até serem convertidos em criptomoedas no exterior.

A Polícia Federal afirma que parte do dinheiro foi enviada ao estudante de medicina Patrick Zanquetim, suspeito de atuar na lavagem dos recursos ilícitos. De acordo com a apuração, Zanquetim teria transferido os valores para uma corretora internacional de criptomoedas, realizado novas operações financeiras e posteriormente devolvido os recursos aos investigados mediante pagamento de comissão.

Patrick Zanquetim segue preso em Goiânia. A PF conseguiu chegar até ele após quebrar o sigilo de contas de criptoativos utilizadas nas transações. O celular apreendido com o estudante continha trocas de mensagens com Breu, segundo os investigadores.

Apesar das prisões realizadas na Espanha no ano passado, os suspeitos atualmente respondem em liberdade enquanto os pedidos de extradição seguem em análise pelas autoridades espanholas. Além de Breu e Thaís, também são alvo de pedidos de extradição Rômulo de Oliveira Carvalho, domiciliado em Valência, e outros investigados ligados ao esquema.

Documentos anexados ao processo indicam que um erro burocrático no envio da documentação por parte das autoridades brasileiras acabou impactando o andamento das prisões preventivas no exterior. Pela legislação espanhola, a prisão preventiva para fins de extradição tem prazo máximo de 80 dias. O problema ocorreu porque os documentos traduzidos para o espanhol teriam sido enviados após o vencimento do prazo legal.

O Ministério da Justiça informou apenas que segue os trâmites previstos na legislação brasileira e nos acordos internacionais, sem comentar detalhes específicos do caso. Já o Itamaraty não se manifestou.

A defesa de Breu afirma que ele permanece à disposição das autoridades, com passaporte retido e submetido a medidas cautelares impostas pela Justiça espanhola. Outros advogados dos investigados sustentam que não há risco de fuga ou obstrução das investigações.

Os autos também revelam o patrimônio acumulado pelos suspeitos. A PF identificou apartamentos em áreas nobres de Goiânia e Balneário Camboriú, além de fazendas na Bahia e em Angola. Fotografias anexadas à investigação mostram veículos de luxo, como um Porsche Macan avaliado em cerca de R$ 400 mil e uma Lamborghini Urus estimada em R$ 3 milhões.

As investigações continuam em andamento no Brasil. Até o momento, pedidos de habeas corpus apresentados pelos suspeitos em tribunais superiores foram negados.

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