A Polícia Federal (PF) identificou ameaças feitas por Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, contra a família do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo documentos da investigação, ela afirmou que revelaria arquivos capazes de acabar com a família do ex-banqueiro. Aliados de Vorcaro tentaram comprar o silêncio dela .
As mensagens foram interceptadas pela PF e enviadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do Caso Master. O sigilo do documento foi retirado nesta terça-feira (16) .
Contexto das ameaças
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, foi preso em março deste ano durante a 3ª fase da Operação Compliance Zero. Ele era apontado como braço direito de Daniel Vorcaro, com atuação em monitoramento de alvos, extração ilegal de dados e ações de intimidação. Sicário morreu após a prisão, e os laudos apontaram suicídio .
Após a morte de Sicário, a família enfrentou dificuldades financeiras. Nas mensagens captadas, Joana cobra interlocutores de Vorcaro, dizendo que precisava arcar com parcelas de financiamentos e a prestação da casa onde mora. “Estou desesperada já”, afirmou .
Reunião e proposta de transferência de ativos
Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo, braço direito de Henrique Vorcaro (pai de Daniel), atuou para viabilizar recursos à família Mourão. Em reunião com Joana e a mãe dela, Denise, Manolo propôs transferir ativos para o nome de Denise para resolver a questão .
Em mensagem a Henrique Vorcaro, Manolo escreveu: “Henrique, boa noite. Estamos conversando com a mãe aqui. Vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo para o nome dela, mãe, para resolver a questão” .
Mesmo após o encontro, Joana continuou ameaçando. Em mensagem de 7 de maio, ela escreveu: “Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!” . A sigla HV refere-se a Henrique Vorcaro .
Em 12 de maio, Joana perguntou sobre a assinatura de um contrato. A PF verificou que ela figura como sócia-administradora da JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda., com capital social de R$ 1 milhão .
Papel de Manolo na organização
Segundo a PF, Manolo integrava a chamada “Turma”, grupo responsável por ameaças e coerções. Ele era usado como instrumento de pressão física e moral a favor dos interesses da família Vorcaro. Sua reputação no meio da contravenção era explorada para intimidar vítimas .
Pai de Vorcaro foi preso
Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio, na 6ª fase da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de coordenar ações de intimidação atribuídas aos grupos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”. A operação também resultou na prisão do policial federal Anderson Wander da Silva Lima, acusado de acessar bancos de dados sigilosos e repassar informações sobre pessoas monitoradas pela organização.
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