Ministério das Relações Exteriores classifica declarações do presidente argentino como tentativa inaceitável de ingerência externa; Milei chamou Lula de “esquerdista ladrão” e sugeriu roubo na votação
O Palácio Itamaraty emitiu nota de repúdio nesta terça-feira (20/10) às novas ofensas do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à insinuação de fraude nas eleições brasileiras. O segundo turno está marcado para domingo (25/10).
Em publicações na rede social X, Milei compartilhou trecho de uma entrevista de Lula ao SBT e escreveu que espera que “o último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição”. Em outra postagem, chamou o presidente brasileiro de “autoritário adorado pelos progressistas locais”.
A nota do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores classificou as declarações como “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. A pasta afirmou que as ofensas foram dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico.
O Itamaraty também acusou Milei de repetir “mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”. A nota diz ainda que a manifestação é “antidemocrática, inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.
Sobre o sistema eleitoral, o ministério reafirmou que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno”.
Relação diplomática deteriorada
As sucessivas agressões de Milei contra Lula levaram ao rebaixamento das relações entre Brasília e Buenos Aires. Desde agosto, o Brasil não tem embaixador na Argentina, e o representante argentino deixou Brasília. A representação brasileira no país vizinho é conduzida por um encarregado de negócios, cargo inferior ao de embaixador.
Em julho, Milei já havia xingado Lula durante convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato. Na ocasião, chamou o presidente brasileiro de “presidiário” e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
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