A Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) divulgou nota em apoio à juíza Mônica Miranda, que deu risada ao reencontrar um preso durante uma audiência de custódia em Inhumas, na região central de Goiás. O episódio viralizou nas redes sociais e gerou debate sobre a postura da magistrada.
Segundo a Asmego, a conduta “não retira a seriedade do ato”, mas representa “o equilíbrio entre firmeza judicial e respeito à dignidade da pessoa humana, princípios que norteiam a magistratura”.
O caso
O vídeo da audiência, realizada em maio deste ano, passou a circular na última semana. Nele, a juíza reconhece um dos investigados e brinca com a situação:
“Estou vendo aqui, Kaique. Você de novo?! Ê, menino! Se você fosse meu filho… Me ajuda a te ajudar”, disse Mônica Miranda.
Em outro momento, ela acrescenta:
“Me ajuda a ajudar o doutor, coitado. Ele nem consegue dormir mais”, fazendo referência ao advogado do réu.
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) informou que não comenta manifestações de magistrados em processos específicos. Em nota, destacou que as audiências de custódia têm o objetivo de verificar a legalidade da prisão, possíveis casos de maus-tratos e assegurar os direitos previstos em lei, sem julgamento de mérito.
Decisão judicial
De acordo com o TJ-GO, o preso estava detido por porte ilegal de arma de fogo. A capitã da Polícia Militar Waleska Faria, que publicou o vídeo no Instagram, afirmou que o jovem já tinha passagens por homicídio e tráfico de drogas.
A Asmego ressaltou que a liberdade concedida ao custodiado ocorreu após pedido do Ministério Público de Goiás (MP-GO). “Após o Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019), o juiz não pode decretar prisão preventiva de ofício, limitando-se a decidir conforme requerimento das partes”, explicou a entidade.
Repercussão
O episódio dividiu opiniões nas redes sociais. Alguns internautas criticaram a postura da magistrada, classificando-a como “quebra de decoro”. Outros, no entanto, enxergaram um gesto de humanidade.
“Total falta de respeito ao rito processual”, comentou um usuário.
“Queremos mais juízes assim! Tratamento humanizado é o caminho”, escreveu outra internauta.
Nota da Asmego
A presidente da associação, juíza Patrícia Carrijo, reafirmou apoio à colega e destacou que decisões judiciais “são técnicas e não podem ser julgadas por recortes de vídeos ou interpretações descontextualizadas”.















