A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réus a influenciadora e advogada Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão foi proferida pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau .
Além deles, outras quatro pessoas também se tornaram réus: Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Souza . Os acusados vão responder pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro .
Esquema usava transportadora e depósitos fracionados
De acordo com a denúncia, a organização criminosa utilizava uma empresa de transportes como fachada para movimentar e ocultar valores obtidos pelo PCC. Os recursos seriam então reinseridos na economia formal com aparência de legalidade .
A investigação identificou o emprego de depósitos fracionados, transferências via Pix, contas de terceiros e empresas interpostas para dificultar o rastreamento dos valores . Segundo o Ministério Público, a transportadora teria sido usada para distribuir recursos entre integrantes da facção .
Deolane movimentou R$ 27 milhões
As investigações apontam que Deolane Bezerra recebia depósitos fracionados provenientes da transportadora em contas de sua titularidade . Relatórios de inteligência financeira indicam que a influenciadora movimentou cerca de R$ 27 milhões .
Segundo a decisão judicial, a influenciadora planejava reestruturar suas empresas e transferi-las para fundos sediados no exterior, com o objetivo de viabilizar a lavagem de dinheiro. A investigação cita Dubai como um dos destinos planejados .
A Justiça determinou o sequestro de veículos de luxo registrados em nome de Deolane, incluindo uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade .
Posição das defesas
Por meio de nota, o advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marcola e dos demais membros da família Herbas Camacho, negou as acusações. Segundo ele, os investigados estão em presídio federal de segurança máxima desde 2019, o que inviabilizaria qualquer participação nos fatos . Quanto a Leonardo e Paloma, a defesa afirma que o vínculo familiar não pode ser confundido com participação criminosa .
A defesa de Deolane, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr. e outros, afirmou que sua cliente é inocente. Em nota, os advogados declararam que os rendimentos da influenciadora têm origem lícita e que ela não possui qualquer vínculo com o crime organizado.
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