O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 33 pessoas por participação em uma estrutura criminosa transnacional responsável pela importação de cocaína da Bolívia, financiamento da logística do tráfico e lavagem de dinheiro . A pedido do MPF, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 78,1 milhões em bens e valores dos denunciados, incluindo imóveis, aeronaves, veículos de alto valor e recursos financeiros .
A investigação teve início em abril de 2025, após uma aeronave com 470,8 quilos de cocaína pousar clandestinamente em Santa Rita do Araguaia (GO) . Os dois pilotos, um venezuelano e um boliviano, fugiram, mas foram presos. A análise de um GPS aeronáutico permitiu reconstruir a rota utilizada entre a região do Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), na Bolívia, e Goiás .
Segundo as denúncias, a organização era dividida em núcleos especializados: um responsável pela logística aérea, com compra e uso de aeronaves registradas em nome de terceiros; outro pelo financiamento das operações, com pagamentos pulverizados entre pessoas físicas e empresas de fachada; um terceiro pela administração patrimonial, com uso de empresas do setor de transportes para blindar ativos; e um quarto núcleo dedicado à lavagem de dinheiro, com contas de laranja, carros de luxo, imóveis e um “banco paralelo” para dar liquidez ao esquema .
A investigação também identificou o uso do sistema “dólar-cabo” para remessas clandestinas de recursos à Bolívia, que custeavam pilotos, abastecimento e manutenção de aeronaves . Há suspeita de simulação de morte de um dos envolvidos, Arnaldo Agostinho Sottani, apontado como comprador oculto do avião . A fase ostensiva da operação foi deflagrada em maio de 2026, com mandados cumpridos em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Amazonas, Rio Grande do Norte, Maranhão e Distrito Federal .
O MPF ofereceu denúncia por tráfico internacional, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro e falsificação de documentos. Cidadãos podem denunciar crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro de forma anônima ao Ministério Público Federal pelo site ou pelo Disque Denúncia 181. Em Goiás, a denúncia também pode ser feita pelo aplicativo “MPF Goiás”. Os acusados respondem em liberdade, com exceção dos pilotos, já condenados em primeira instância, até o julgamento final pela Justiça Federal.
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