Um grupo de profissionais que são referência em suas áreas de atuação, reunido para elaborar o Plano de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Goiânia, decidiu reunir o conhecimento técnico e as várias histórias da construção desse conglomerado urbano para ambientar seus contos. Da ideia nasceu o livro “De Goiânia e redondezas”, pela editora Trilhas Urbanas, que já está disponível e será lançado no final de agosto. A obra mescla personagens fictícios com a história da capital e de cidades próximas, com direito a assombrações, famoso bordel do início de Goiânia, capiaus e matutos, migrantes.
“Em cada conto, autores imaginaram personagens e tramas, só que inseridas em situações ou em locais da realidade, alguns do passado outros contemporâneos”, diz o sociólogo e cientista político Pedro Célio, coordenador da obra. “No resultado encontramos casos do passado que viraram lendas ou relatos míticos e também narrações envolvendo temas extremamente atuais”. Além de Pedro Célio, com o conto Reencontro, o livro traz textos de Antenor Pinheiro, Eguimar Chaveiro, Gustavo Coelho, Hamilton Carneiro, Léo Pereira, Ranon Machado e Túlio Fernando Mendanha.

O grupo de autores começou a se reunir para a elaboração do Plano de Desenvolvimento da RMG, que será entregue pela Universidade Federal de Goiás (UFG) ao governo estadual para ser enviado, em forma de projeto de lei, à Assembleia Legislativa. Pedro Célio conta que a chave do trabalho foi eminentemente técnica. “Ao lado dos estudos, pesquisas e muito diálogo com as comunidades sobre a intensa unificação territorial, econômica e institucional dos municípios ao redor da Capital, tivemos o insight de realçar traços culturais e históricos relevantes no processo, a nosso ver também explicativos dessa unificação”, relata.
“Recorremos aos técnicos das prefeituras para nos apresentar pessoas dedicadas a refletir e escrever sobre os modos de vida, os hábitos, a linguagem e, mesmo, aos causos e lendas de suas respectivas localidades. São elas que escrevem o livro, convertendo as suas percepções desses aspectos em ficção, no gênero contos”, analisa. Como resultado, os autores encontraram casos do passado que viraram lendas ou relatos míticos e também narrações envolvendo temas extremamente atuais.
Meia Ponte
O conto O herói do Meia Ponte, do perito criminal, jornalista e geógrafo Antenor Pinheiro, é ambientado predominantemente no rio que atravessa boa parte da Região Metropolitana, quando era um balneário para as famílias da capital, principalmente para os jovens. “Outro contexto é a zona da Rua P-16, no Setor dos Funcionários, certamente o mais lendário baixo meretrício da história de Goiânia”, adianta Pedro Célio. Já Eguimar Chaveiro tomou o também lendário Beco dos Aflitos, de Trindade, como cenário de suas personagens.
Dois contos ocupam-se de crendices e/ou da malandragem ingênua de capiaus e matutos em fazendas de Inhumas, enquanto um outro narra uma história de assombração em Nerópolis. “O livro traz ainda contos centrados nos imigrantes vindos do sertão da Bahia e do sul do Maranhão para nossas cidades e aqui tornam-se protagonistas da vida metropolitana, submetidos aos ritmos pendulares cotidianos de quem trabalha ou estuda em Goiânia, mas reside em Goianira, Senador Canedo e Nerópolis”, informa o coordenador da obra.
“De Goiânia e redondezas” não esgota as deliciosas histórias que os autores resgataram nas incursões pelo universo que cada um percorreu, seja em busca de elementos técnicos para subsidiar o projeto do Plano de Desenvolvimento, seja no contato com moradores, guardiões de relatos cheios de vida (e de mortos que voltam para assombrar). Pedro Célio adianta que essa sensação de que ainda há muito por explorar – e relatar – ficou no ar.
“Nas conversas entre nós, os autores, ficou a sensação de que temas e locais interessantes para nossa proposta estão ausentes do livro. Por isso, vamos aguardar o momento de avaliar a receptividade do público a esse volume para, quem sabe, pensarmos numa segunda empreitada com estórias sobre personagens e situações encenadas em outras cidades da região de Goiânia”, afirma.
A data de lançamento ainda não foi definida. O coordenador explica que ele deve acontecer a partir da segunda metade de agosto, em algumas cidades da Região Metropolitana. Será quando escolas e faculdades terão retornado às atividades, assim como famílias que viajam de férias.
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