A menos de um ano do início oficial da corrida presidencial, o debate sobre a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 continua dividindo a opinião pública — e pesando na balança eleitoral. Segundo levantamento do Instituto Datafolha, 61% dos brasileiros afirmam que não votariam de forma alguma em um candidato que se comprometesse dar anistia a Jair Bolsonaro (PL), seus aliados investigados por ataques à democracia e os já condenados pelos atos violentos na Praça dos Três Poderes.
A pesquisa, feita nos dias 29 e 30 de julho com 2.004 entrevistados, apresenta margem de erro de dois pontos percentuais. Nela, 19% dos entrevistados disseram que votariam com certeza em um nome que defendesse a anistia. Outros 14% disseram que talvez o fizessem, e 6% ficaram indecisos.
A concessão de perdão presidencial esbarra em um entendimento já consolidado pelo Supremo Tribunal Federal: indultos não se aplicam a crimes contra o Estado de Direito, como ficou evidente quando a Corte anulou o indulto concedido por Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira. Ele havia sido condenado por ameaças às instituições e hoje cumpre pena em regime semiaberto.
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Apesar disso, governadores aliados do ex-presidente, como Romeu Zema (Novo-MG), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União-GO), já se manifestaram favoravelmente à ideia de anistia. No entanto, o envolvimento com a pauta tem trazido desgaste, principalmente após os desdobramentos internacionais. Donald Trump, aliado de Bolsonaro, chegou a citar a situação jurídica do ex-presidente brasileiro como justificativa para aplicar sanções comerciais ao Brasil — incluindo um aumento tarifário de 50% sobre produtos de exportação se o Supremo Tribunal Federal (STF) não desse anisitia ao ex-presidente.
A medida, considerada por muitos como uma retaliação “em nome da amizade”, expôs Tarcísio a críticas. O governador paulista, que tem evitado confrontos diretos com o STF, se viu pressionado a recuar publicamente e chegou a cancelar presença em manifestações pró-anistia na Avenida Paulista, alegando agenda médica. Enquanto isso, no Congresso Nacional, um projeto de lei que previa anistia a mais de 480 condenados do 8 de Janeiro perdeu tração após a repercussão negativa e a consolidação de um sentimento popular contrário à proposta.















