Um monitoramento da Quaest divulgado nesta terça-feira (5) mostra que a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) provocou forte mobilização nas redes sociais. Segundo o levantamento, 53% das menções feitas ao tema foram favoráveis à medida imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto 47% demonstraram reprovação.
A pesquisa analisou cerca de 1,2 milhão de publicações feitas apenas na segunda-feira (4/8), dia seguinte ao episódio em que Bolsonaro participou por telefone de um ato político no Rio de Janeiro, em apoio a seus seguidores. A participação foi divulgada nas redes sociais por seus filhos, os parlamentares Carlos e Flávio Bolsonaro.
A decisão de Moraes se baseou na quebra de medidas cautelares já impostas ao ex-presidente. Bolsonaro está proibido de utilizar redes sociais – direta ou indiretamente – e de se ausentar do país. Ele também deveria cumprir recolhimento domiciliar à noite e nos fins de semana. A aparição no evento bolsonarista, ainda que remota, foi considerada infração à determinação judicial, o que motivou a prisão domiciliar.
Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado criticou a medida do ministro Alexandre de Moraes e mencionou “veredito antecipado”. Caiado, que é pré-candidato ao Planalto em 2026, disse que o país precisa de um líder que tenha capacidade para dialogar e promover reformas.
Repercussão
A repercussão digital do caso evidenciou o grau de polarização política no país. Internautas críticos a Bolsonaro celebraram a decisão com publicações usando expressões como “Grande dia” e “Bolsonaro preso”, que rapidamente ganharam destaque nos assuntos mais comentados da plataforma X (antigo Twitter). Já os apoiadores do ex-presidente reagiram com veemência, acusando o STF de abuso de autoridade e alegando perseguição política.
Entre os bolsonaristas, também circulou a acusação de que Moraes estaria tentando desviar o foco da chamada “Vaza Toga”, investigação recente que atinge diretamente o ministro. Do lado oposto, não houve uma narrativa unificada, mas a mobilização foi intensa.
Análise
A Quaest utilizou operadores booleanos e ferramentas próprias de coleta de dados para monitorar publicações em plataformas como X, Instagram, Facebook, Reddit, YouTube e sites de notícias. O volume expressivo de menções, somado ao tom emocional das reações, indica que o tema deverá permanecer em destaque no debate público digital nos próximos dias.
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