O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), criticou nesta segunda-feira (4) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em publicação nas redes sociais, Caiado afirmou que o ex-presidente “já está condenado antes da conclusão de seu julgamento”.
“Se um cidadão não pode se manifestar publicamente em sua defesa, é porque o veredito está dado”, escreveu o governador. Segundo ele, a decisão agrava um processo “que começou errado”, referindo-se ao fato de o julgamento estar sendo conduzido por uma câmara do STF e não pelo plenário da Corte.
Caiado também declarou solidariedade a Bolsonaro e criticou o que chamou de “escalada política” que, segundo ele, aprofunda as divisões no país e coloca os interesses da população em segundo plano.
Para o governador, que é pré-candidato ao Planalto em 2026, o Brasil precisa de uma liderança com “autoridade moral” para pacificar o país e conduzir reformas.
Prisão domiciliar
A prisão domiciliar foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após o STF avaliar que Bolsonaro descumpriu medidas restritivas anteriormente impostas.
A decisão estabelece que o ex-presidente está proibido de usar telefone celular, direta ou indiretamente, e de receber visitas, com exceção de advogados e pessoas previamente autorizadas.
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão de aparelhos eletrônicos na residência do ex-presidente no fim da tarde de segunda-feira, em Brasília.
Governadores divergem do tom
Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Jorginho Mello (PL-SC) classificaram a decisão como “absurda”, “extrema” e evidência de “perseguição política”. Wilson Lima (União-AM) e Caiado, por exemplo, demonstraram apoio a Bolsonaro, mas com discurso focado na necessidade de equilíbrio e diálogo entre os Poderes.
Outros governadores, como Ratinho Jr. (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS), adotaram tom mais cauteloso, criticando o momento da prisão, antes da conclusão do julgamento, e pedindo pacificação nacional. Leite ressaltou ainda que apenas Fernando Henrique Cardoso, entre os presidentes eleitos pós-redemocratização, não foi alvo de prisão ou impeachment.
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), também criticou a prisão por considerá-la desnecessária e sem sentença condenatória. O governador Ibaneis Rocha (MDB) optou por não se pronunciar.
Reações internacionais
A medida também gerou reação internacional. O governo de Donald Trump, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos, condenou a decisão, classificando-a como “ameaça à democracia”.
Em nota, o órgão norte-americano afirmou que “todos os que auxiliarem e forem cúmplices da conduta” do ministro Moraes serão responsabilizados.
O plano de sanções americanos prevê a aplicação da Lei Magnitsky aos demais membros do STF e a retirada de vistos de integrantes do alto escalão do governo brasileiro.
Leia mais:
https://tribunadoplanalto.com.br/moraes-decreta-prisao-domiciliar-de-bolsonaro/













