O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, apresente explicações sobre um empréstimo recebido da empresária Roberta Luchsinger. Ela é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e é investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência.
Marcola deixou a chefia de gabinete da Presidência há cerca de duas semanas para integrar a equipe responsável pela campanha de reeleição de Lula. Após a divulgação do caso, ele afirmou que recebeu um empréstimo pessoal, destinado a uma questão familiar, e que o valor já foi integralmente devolvido. O ex-chefe de gabinete também declarou não existir ilegalidade na transação.
Segundo relatos de integrantes do governo, Lula teria sido informado sobre o empréstimo poucos dias antes de o assunto se tornar público, mas depois de Marcola ser escolhido para trabalhar na campanha eleitoral. Outros aliados afirmam ter sido surpreendidos pela notícia e questionam se o presidente realmente conhecia a operação anteriormente.
A existência dos pagamentos foi revelada inicialmente pelo site Poder360 na segunda-feira (3). A repercussão provocou irritação entre aliados do presidente, que temem possíveis reflexos sobre a campanha eleitoral. A avaliação predominante no Palácio do Planalto, porém, é que Marcola pode ter cometido um erro político, mas não necessariamente um crime.
O assessor teria informado a Lula que possui comprovantes capazes de demonstrar que os valores recebidos correspondiam a um empréstimo e foram posteriormente pagos. A data da transação ainda não foi confirmada oficialmente, embora integrantes do governo considerem que a operação possa ter ocorrido em 2023. Marcola procura um advogado antes de voltar a se manifestar publicamente.
Próximo de Lula há quase sete anos, Marcola assumiu a chefia de gabinete após a vitória eleitoral de 2022. No cargo, era responsável pela agenda presidencial e funcionava como um dos principais contatos entre o presidente e lideranças políticas.
Roberta Luchsinger é sócia da RL Consultoria e Intermediações. Em maio, ela afirmou à Polícia Federal ter apresentado Lulinha ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, antes da Operação Sem Desconto. A investigação apura um esquema de descontos irregulares que teria movimentado mais de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.
Em dezembro, Roberta foi alvo de buscas. Segundo a PF, uma empresa ligada ao Careca do INSS teria transferido R$ 1,5 milhão para uma companhia da empresária. A defesa de Lulinha afirma que ele recebeu a abertura dos inquéritos com tranquilidade, nega qualquer envolvimento em irregularidades e sustenta que comprovará sua inocência.













