Doença havia sido erradicada no país em 2000, mas ressurgiu com queda na vacinação e desconfiança em relação às autoridades sanitárias.
Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas, segundo dados divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) na última sexta-feira (24). Nos primeiros sete meses de 2026, foram confirmados 2.318 casos da doença em 43 estados, número que já supera o total registrado em todo o ano de 2025, quando o país contabilizou 2.289 casos e três mortes.
O país não registrava um número tão elevado de casos desde 1991, quando foram contabilizadas 9.643 infecções. O sarampo, uma doença viral altamente contagiosa, causa febre, problemas respiratórios e erupções cutâneas, podendo levar a complicações graves como pneumonia e inflamação cerebral, que podem resultar em morte.
A doença havia sido considerada erradicada nos Estados Unidos em 2000, após décadas de campanhas de vacinação. No entanto, o ressurgimento está associado à queda nas taxas de vacinação e ao crescimento da desconfiança em relação às autoridades sanitárias. Até o momento, 95% dos casos confirmados ocorreram entre pessoas não vacinadas ou com imunização incompleta.
O secretário de Saúde americano, Robert Kennedy Jr., apontado como parcialmente responsável pela crise por suas declarações antivacinas, pediu pela primeira vez neste domingo (2) que os pais vacinem seus filhos contra o sarampo, em uma declaração que marca um giro em relação à postura que sustentou por anos como uma das figuras mais visíveis do movimento cético. A Academia Americana de Pediatria classificou o cenário como uma crise evitável que prejudica desproporcionalmente as crianças.
Segundo o jornal The Washington Post e a organização KFF, cerca de 20% dos pais americanos evitam ou adiam a vacinação dos filhos por medo de efeitos colaterais, uma tendência mais comum entre comunidades brancas e conservadoras. Especialistas preveem que o número de casos continue aumentando, e os EUA correm o risco de perder o status de país livre de sarampo, obtido em 2000.
A vacina contra o sarampo é a medida mais eficaz de prevenção e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as faixas etárias que não tenham a caderneta de vacinação atualizada. No Brasil, a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é oferecida gratuitamente nos postos de saúde, com a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, além de campanhas de atualização para adultos não vacinados. Em caso de dúvidas, o Ministério da Saúde disponibiliza informações pelo Disque Saúde 136. O sarampo é uma doença de notificação compulsória: ao identificar casos suspeitos, os serviços de saúde devem comunicar imediatamente as autoridades sanitárias.
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