Pacientes estão há 14 e 12 meses sem antirretrovirais e sem carga viral detectável; transplantes foram feitos para tratar cânceres graves, não como tratamento para o HIV.
Médicos anunciaram durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro entre 26 e 31 de julho, dois novos casos de possível remissão do HIV . Os pacientes receberam transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue e, depois, interromperam o uso de antirretrovirais. Desde então, o vírus não voltou a ser detectado nos exames . Com os dois anúncios, o número de casos de remissão ou possível cura do HIV contabilizados pela Sociedade Internacional de Aids (IAS) chega a 13 .
Um dos pacientes, conhecido como “paciente de Kansas City”, é um homem de 21 anos que recebeu o diagnóstico de HIV e de leucemia mieloide aguda em 2018 . Em outubro de 2020, ele recebeu células-tronco de uma doadora com duas cópias da mutação CCR5-delta32, que impede a entrada das formas mais comuns do HIV nas células de defesa . Os antirretrovirais foram suspensos em fevereiro de 2025 e, 14 meses depois, os exames continuam sem detectar o vírus no sangue .
O segundo caso envolve um paciente que também tinha infecção por hepatite B e recebeu células-tronco de um doador com a mesma mutação . Quatro anos após o transplante, os medicamentos foram suspensos. Depois de 12 meses, o HIV continuava indetectável, e os pesquisadores não encontraram vírus capaz de se multiplicar em amostras do intestino . A interrupção dos remédios, porém, fez a hepatite B voltar a se multiplicar em apenas 25 dias, já que parte dos antirretrovirais também controlava esse vírus .
Especialistas classificam os casos como “remissão sustentada” porque o tempo sem medicamentos ainda é curto. O termo mais adequado, segundo infectologistas, é “remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais” . Não há um único exame capaz de verificar todas as partes do corpo e garantir que nenhuma célula infectada permaneceu escondida. Por isso, mesmo nos casos mais antigos, os pacientes continuam sendo acompanhados .
Os transplantes de células-tronco são procedimentos de alto risco e só são indicados para tratar leucemias, linfomas ou outras doenças graves do sangue. Eles não podem ser oferecidos como tratamento comum contra o HIV . O objetivo dos cientistas agora é compreender os mecanismos que permitem a remissão para desenvolver terapias mais seguras e de baixo risco .
No Brasil, o tratamento antirretroviral para HIV é gratuito e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP) também estão disponíveis na rede pública. O diagnóstico precoce é fundamental: testagem para HIV e hepatites virais é oferecida gratuitamente nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e unidades básicas de saúde. Informações sobre prevenção, tratamento e locais de atendimento podem ser obtidas no site do Ministério da Saúde ou pelo Disque Saúde 136.
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