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Médicos reagem à redução de honorários em novo edital da Prefeitura de Goiânia

Entidade afirma que novos valores representam queda expressiva na remuneração e podem agravar a falta de médicos na Atenção Primária


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 20/11/2025 - 11:07

SIMEGO
Simego divulgou nota de repúdio e afirma que a Prefeitura reduziu honorários sem aprovação do Conselho Municipal de Saúde (Foto: Divulgação)

O Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego) repudiou, nesta quinta-feira (20), o novo edital de credenciamento da Prefeitura de Goiânia por reduzir os honorários dos profissionais e desconsiderar decisão do Conselho Municipal de Saúde. Segundo a entidade, que pretende recorrer à Justiça, algumas tabelas representam cortes superiores a 15% na remuneração dos médicos e não atendem à legislação.

Segundo o Simego, o CMS rejeitou, em setembro, a proposta de nova tabela enviada pela Prefeitura, que já previa cortes. Mesmo assim, a administração municipal publicou o edital com novos valores, o que o sindicato classifica como um ato que “não poderia sequer ter sido elaborado”, já que a lei exige aprovação prévia do Conselho para qualquer mudança nos valores praticados.

Na avaliação do Simego, a redução dos honorários pode afastar profissionais experientes e agravar a desassistência na rede básica, porta de entrada do sistema.

“O Sindicato informa que adotará todas as medidas administrativas, políticas e judiciais necessárias para exigir a imediata suspensão do edital, a adequação obrigatória aos parâmetros legais, à decisão do Conselho Municipal de Saúde e a preservação dos valores atualmente vigentes até que haja estudo técnico transparente, análise do CMS e diálogo efetivo com a categoria médica”, afirma a nota assinada pela presidente Franscine Leão.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou à Tribuna do Planalto que “o novo credenciamento visa suprir déficits históricos das redes de atenção à saúde e possibilitará ampliar o acesso da população aos serviços, com ampliação no número de médicos de 730 para mais de 1.800”.

Segundo a pasta, a adequação da tabela de valores pagos pelos plantões médicos visa “corrigir distorções, garantir equilíbrio financeiro e foi definida de acordo com a realidade de mercado e estudo de impacto orçamentário e financeiro” da secretaria.

Em comunicado à imprensa, o Prefeitura destacou que a reestruturação prevê a adequação da tabela de valores pagos pelos plantões médicos. “Goiânia pagava até 30% mais que outras cidades da região metropolitana, sem nenhum estudo técnico que embasasse a viabilidade e sustentabilidade dos valores praticados”, afirma o secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer.

“Os valores brutos definidos são idênticos ao que a Sociedade Israelita Albert Einstein paga por plantões no Hospital de Urgência de Goiás, por exemplo”, mostra. Ainda de acordo com o secretário, o novo credenciamento permite a aplicação mais eficiente de recursos públicos em saúde.

Honorários

Atualmente, médicos generalistas recebem R$ 10,5 mil por 20 horas semanais e R$ 21 mil por 40 horas. Médicos de Saúde da Família recebem R$ 26,7 mil por 40 horas, enquanto pediatras e ginecologistas recebem R$ 13,3 mil por 20 horas.

O edital substitui esses valores por pagamento por hora: R$ 100 para generalistas, R$ 200 para pediatras e ginecologistas e R$ 165 para médicos de Família e Comunidade. Segundo o Simego, a conversão para jornada mensal mostra queda expressiva, sobretudo na Atenção Primária, que já convive com falta de profissionais e alta demanda.

A entidade que representa os médicos afirma que o edital descumpre normas do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), que exigem que qualquer tabela de preços seja aprovada pelo Conselho Municipal de Saúde antes de um chamamento público.

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