Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, indicam que a instituição contratou a advogada e influenciadora Gabriela Prioli por 12 meses para produzir conteúdos sobre o banco, apresentados publicamente como opiniões independentes. Os diálogos mostram que Vorcaro acompanhava a elaboração dos roteiros, sugeria abordagens e orientava mudanças nas publicações. As informações foram reveladas nesta sexta-feira (16) pelo Poder360.
A contratação foi confirmada em conversas por Ana Matos, que ocupou o cargo de superintendente de Comunicação e Marketing do Banco Master entre 2023 e o fim de 2025. Em uma mensagem enviada a Vorcaro, ela afirmou: “De forma prática: o contrato está assinado por 12 meses”.
Com mais de 6 milhões de seguidores, Prioli publicou vídeos que abordavam o banco e seus produtos financeiros. Segundo as conversas, ao menos quatro publicações feitas sob orientação da instituição foram posteriormente apagadas.
Vorcaro orientava os roteiros
Os diálogos mostram que Vorcaro participava diretamente da definição dos temas e das mensagens que deveriam aparecer nos vídeos. Em 5 de abril de 2025, ele compartilhou com Ana Matos uma publicação de Prioli sobre sua experiência ao frequentar a alta sociedade paulistana e sugeriu usar o relato para abordar o que considerava perseguição ao Banco Master. “Isso aqui é muito bom. Acho que no texto ela tem que me citar e os ataques pra explicar as fake news”, escreveu o banqueiro. Em seguida, orientou a retirada de uma referência política: “Tira PT. Pessoas querem politizar”. Também pediu que o conteúdo mencionasse o preconceito que, segundo ele, os grandes banqueiros demonstravam contra sua instituição.
Ana Matos respondeu que havia incluído a abordagem no roteiro destinado à influenciadora. Em outras mensagens, Vorcaro elogiou a estratégia: “Prioli foi melhor estrategia de todas disparado” e “Prioli ótima tacada”.
Em 18 de abril de 2025, ele sugeriu que Prioli gravasse um vídeo sobre os certificados de depósito bancário (CDBs) do Master, com o objetivo de estimular investidores a manterem seus recursos na instituição. Em uma das gravações, a influenciadora afirmou que o CDB seria mais seguro por contar com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege determinados depósitos e investimentos dentro dos limites e das condições estabelecidos pelo fundo.
Vídeos apagados e negativa de vínculo
As mensagens também apontam que publicações relacionadas ao banco foram removidas posteriormente. Em um dos vídeos, divulgado no início de abril de 2025, Prioli afirmou que acompanhava as notícias sobre o assunto porque começaria uma série sobre dinheiro, na qual falaria não como especialista, mas como interessada. Ao comentar as negociações envolvendo a instituição, comparou a situação a uma tentativa de desvalorizar um imóvel antes de comprá-lo.
Em 28 de maio de 2025, Vorcaro orientou Ana Matos sobre a linha de comunicação que considerava mais adequada: “Tem que bater em jornalista não no BTG”. No dia seguinte, a executiva comentou uma publicação da influenciadora: “Não vi ainda. Sempre fico nervosa quando ela posta kkkkk. Mas ficou ótimo”.
Em janeiro, Prioli publicou um vídeo no qual negou ter mantido vínculo contratual com o Banco Master. A declaração contrasta com as mensagens divulgadas, que indicam a existência de um contrato e a participação do banqueiro na preparação dos conteúdos.
Outro diálogo, de julho de 2025, mostra Ana Matos encaminhando a Vorcaro um arquivo de vídeo gravado pela influenciadora. O banqueiro afirmou que havia pautado veículos de comunicação para publicar reportagens no dia seguinte e perguntou à executiva o que ela achava de utilizar Prioli na estratégia.
Dois dias depois, em 30 de julho, Ana Matos informou que a influenciadora estava pronta para divulgar o material e acrescentou: “Ela absorveu nosso pedido”. Não há confirmação de que o vídeo previsto para aquela data tenha sido efetivamente publicado.
Banco planejava contratar outros influenciadores
De acordo com Ana Matos, o plano de comunicação previa envolver aproximadamente 15 influenciadores, em contratos de três meses, com possibilidade de renovação. As identidades dos demais participantes não foram reveladas. As conversas também mencionam o influenciador Thiago do Léo. Em uma mensagem a Vorcaro, Ana Matos disse que ele havia perguntado sobre Prioli e afirmou que não estava revelando informações sobre o acordo a outras pessoas.
A executiva relatou ainda que pessoas tentaram obter informações sobre a relação entre a influenciadora e o banco por meio de terceiros. Procurada pela reportagem original, Ana Matos não respondeu. Prioli também não havia se manifestado sobre as mensagens até a publicação das informações. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025.
Prioli contesta existência de contrato e pagamentos
Nos últimos dias, Gabriela Prioli negou publicamente ter mantido relações comerciais com o Banco Master. Em publicações no Instagram, afirmou que nunca conversou com o proprietário ou funcionários da instituição e que não assinou contratos nem recebeu pagamentos para produzir conteúdo relacionado ao banco. “Já falei o que agora eu vou reafirmar: eu nunca conversei com ninguém desse banco, nem com dono, nem com funcionário. Eu nunca celebrei nenhum tipo de contrato, nem recebi nenhum tipo de pagamento para fazer conteúdo relacionado a este banco”, declarou.
Em outra publicação, nos Stories, a influenciadora questionou a ausência de documentos que, segundo ela, comprovariam as acusações. “Se houve pagamento, onde estão os comprovantes? Se existia um contrato de 12 meses, onde está esse contrato? Se houve reuniões, onde estão os registros, agendas ou qualquer outra evidência de que tenham acontecido? Pois é. Não tem, porque isso não existe”, afirmou.
As mensagens divulgadas pelo Poder360 apresentam relatos sobre a contratação e a produção dos vídeos, mas a documentação do contrato e dos pagamentos não está reproduzida integralmente no material apresentado. A influenciadora nega a existência do vínculo comercial.
Conversas extraídas do celular do banqueiro apontam contrato de 12 meses, participação na elaboração dos roteiros e orientações sobre o conteúdo; influenciadora nega ter recebido pagamentos ou firmado acordo com a instituição
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, indicam que a instituição contratou a advogada e influenciadora Gabriela Prioli por 12 meses para produzir conteúdos sobre o banco, apresentados publicamente como opiniões independentes. Os diálogos mostram que Vorcaro acompanhava a elaboração dos roteiros, sugeria abordagens e orientava mudanças nas publicações. As informações foram reveladas nesta sexta-feira (16) pelo Poder360.
A contratação foi confirmada em conversas por Ana Matos, que ocupou o cargo de superintendente de Comunicação e Marketing do Banco Master entre 2023 e o fim de 2025. Em uma mensagem enviada a Vorcaro, ela afirmou: “De forma prática: o contrato está assinado por 12 meses”. Com mais de 6 milhões de seguidores, Prioli publicou vídeos que abordavam o banco e seus produtos financeiros. Segundo as conversas, ao menos quatro publicações feitas sob orientação da instituição foram posteriormente apagadas.
Vorcaro orientava os roteiros
Os diálogos mostram que Vorcaro participava diretamente da definição dos temas e das mensagens que deveriam aparecer nos vídeos. Em 5 de abril de 2025, ele compartilhou com Ana Matos uma publicação de Prioli sobre sua experiência ao frequentar a alta sociedade paulistana e sugeriu usar o relato para abordar o que considerava perseguição ao Banco Master.
“Isso aqui é muito bom. Acho que no texto ela tem que me citar e os ataques pra explicar as fake news”, escreveu o banqueiro. Em seguida, orientou a retirada de uma referência política: “Tira PT. Pessoas querem politizar”. Também pediu que o conteúdo mencionasse o preconceito que, segundo ele, os grandes banqueiros demonstravam contra sua instituição.
Ana Matos respondeu que havia incluído a abordagem no roteiro destinado à influenciadora. Em outras mensagens, Vorcaro elogiou a estratégia: “Prioli foi melhor estrategia de todas disparado” e “Prioli ótima tacada”.
Em 18 de abril de 2025, ele sugeriu que Prioli gravasse um vídeo sobre os certificados de depósito bancário (CDBs) do Master, com o objetivo de estimular investidores a manterem seus recursos na instituição.
Em uma das gravações, a influenciadora afirmou que o CDB seria mais seguro por contar com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege determinados depósitos e investimentos dentro dos limites e das condições estabelecidos pelo fundo.
Vídeos apagados e negativa de vínculo
As mensagens também apontam que publicações relacionadas ao banco foram removidas posteriormente. Em um dos vídeos, divulgado no início de abril de 2025, Prioli afirmou que acompanhava as notícias sobre o assunto porque começaria uma série sobre dinheiro, na qual falaria não como especialista, mas como interessada. Ao comentar as negociações envolvendo a instituição, comparou a situação a uma tentativa de desvalorizar um imóvel antes de comprá-lo.
Em 28 de maio de 2025, Vorcaro orientou Ana Matos sobre a linha de comunicação que considerava mais adequada: “Tem que bater em jornalista não no BTG”. No dia seguinte, a executiva comentou uma publicação da influenciadora: “Não vi ainda. Sempre fico nervosa quando ela posta kkkkk. Mas ficou ótimo”.
Em janeiro, Prioli publicou um vídeo no qual negou ter mantido vínculo contratual com o Banco Master. A declaração contrasta com as mensagens divulgadas, que indicam a existência de um contrato e a participação do banqueiro na preparação dos conteúdos.
Outro diálogo, de julho de 2025, mostra Ana Matos encaminhando a Vorcaro um arquivo de vídeo gravado pela influenciadora. O banqueiro afirmou que havia pautado veículos de comunicação para publicar reportagens no dia seguinte e perguntou à executiva o que ela achava de utilizar Prioli na estratégia.
Dois dias depois, em 30 de julho, Ana Matos informou que a influenciadora estava pronta para divulgar o material e acrescentou: “Ela absorveu nosso pedido”. Não há confirmação de que o vídeo previsto para aquela data tenha sido efetivamente publicado.
Banco planejava contratar outros influenciadores
De acordo com Ana Matos, o plano de comunicação previa envolver aproximadamente 15 influenciadores, em contratos de três meses, com possibilidade de renovação. As identidades dos demais participantes não foram reveladas.
As conversas também mencionam o influenciador Thiago do Léo. Em uma mensagem a Vorcaro, Ana Matos disse que ele havia perguntado sobre Prioli e afirmou que não estava revelando informações sobre o acordo a outras pessoas.
A executiva relatou ainda que pessoas tentaram obter informações sobre a relação entre a influenciadora e o banco por meio de terceiros.
Procurada pela reportagem original, Ana Matos não respondeu. Prioli também não havia se manifestado sobre as mensagens até a publicação das informações. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025.
Prioli contesta existência de contrato e pagamentos
Nos últimos dias, Gabriela Prioli negou publicamente ter mantido relações comerciais com o Banco Master. Em publicações no Instagram, afirmou que nunca conversou com o proprietário ou funcionários da instituição e que não assinou contratos nem recebeu pagamentos para produzir conteúdo relacionado ao banco.
“Já falei o que agora eu vou reafirmar: eu nunca conversei com ninguém desse banco, nem com dono, nem com funcionário. Eu nunca celebrei nenhum tipo de contrato, nem recebi nenhum tipo de pagamento para fazer conteúdo relacionado a este banco”, declarou.
Em outra publicação, nos Stories, a influenciadora questionou a ausência de documentos que, segundo ela, comprovariam as acusações.
“Se houve pagamento, onde estão os comprovantes? Se existia um contrato de 12 meses, onde está esse contrato? Se houve reuniões, onde estão os registros, agendas ou qualquer outra evidência de que tenham acontecido? Pois é. Não tem, porque isso não existe”, afirmou.
As mensagens divulgadas pelo Poder360 apresentam relatos sobre a contratação e a produção dos vídeos, mas a documentação do contrato e dos pagamentos não está reproduzida integralmente no material apresentado. A influenciadora nega a existência do vínculo comercial.













