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“Minha relação com Daniel é desassociada de atuação parlamentar”


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 04/10/2025 - 18:59

Lucas Vergílio, vereador MDB

Após a prestação de contas do prefeito Sandro Mabel, o vereador Lucas Vergílio concedeu esta entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, na qual, além de rebater as declarações do prefeito sobre a Taxa do Lixo, avaliou a instalação da CEI da Limpa Gyn. O vereador afirma que vai disputar uma cadeira de deputado federal em 2026 pelo MDB de Daniel Vilela e que sua relação com o vice-governador é de longa data, construída desde que foram colegas na Câmara dos Deputados. Sobre o próximo pleito, Vergílio avalia que o partido tem capacidade de dobrar a bancada em Brasília, tendo em vista que Vilela será o governador disputando a reeleição. Ao comentar a fala de Daniel sobre os “bezerros marrucos”, o vereador ponderou que a crítica não se dirigia a parlamentares, mas a uma expectativa de renovação na gestão de Sandro Mabel que, segundo ele, não se concretizou. Ele também analisou a pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado ao Palácio do Planalto. “Ele vai conseguir angariar diversos apoios políticos, porque é uma candidatura que não divide o nosso país.”

TRIBUNA DO PLANALTO – O senhor foi eleito vereador pelo MDB; pretende voltar à Câmara Federal pelo mesmo partido ou considera disputar um cargo na Assembleia Legislativa?

LUCAS VERGÍLIO – O meu plano é disputar para deputado federal. Eu acredito que desenvolvi um bom trabalho na Câmara Federal, fui relator de matérias importantes para o nosso país, contribuí muito com o estado de Goiás, porque fui um deputado muito municipalista. Acredito que posso somar muito com o parlamento federal. Não tenho pretensões de disputar uma cadeira na Assembleia.

Como o senhor vê o processo de montagem das chapas diante de um possível “canibalismo eleitoral”, com nomes competitivos buscando legenda?

Eu fui eleito vereador pelo MDB. Não há janela para que o vereador possa sair e mudar de partido, mas, mesmo se houvesse, eu pretendo e quero continuar no MDB. Nós temos o  vice-governador Daniel Vilela, que será governador e candidato à reeleição e acredito que esse projeto do Daniel a governador gera muito entusiasmo e eu quero contribuir com ele estando no MDB.

O senhor disse que vai concorrer pelo MDB, colocando bem que não existe janela partidária para vereadores. Qual o tamanho dessa bancada que o MDB pretende eleger?

Eu acredito que o MDB tem condição de pelo menos dobrar essa bancada, eleger quatro deputados federais. A construção da chapa ainda tem um longo caminho pela frente, mas  temos à frente o presidente do partido, que será governador a partir de março (de 2026) e que irá, com certeza, fazer uma chapa competitiva e forte para o MDB.

Como está a relação do senhor com o vice-governador Daniel Vilela que, junto do partido, apoiou a candidatura do prefeito Sandro Mabel, que o senhor desaprova?

Minha relação com o Daniel é totalmente desassociada da minha atuação parlamentar em Goiânia. Sou amigo do Daniel há muitos anos, fomos colegas na Câmara dos Deputados. A nossa relação hoje está muito acima disso. Eu fazia parte do governo Caiado, era secretário de Relações Institucionais do Governo, eu saí candidato a vereador em Goiânia pelo MDB para somar forças a esse projeto. Acredito que a minha relação hoje, de independência em relação à Prefeitura, não tem nada a ver. Eu tenho tido essa atuação porque eu discordo de vários pontos que a gestão vem fazendo, eu tenho a minha independência política, a minha independência moral para discordar daquilo em que eu não acredito. É uma coisa que não tem nada a ver com a outra.

Como o senhor interpreta a fala do vice-governador sobre “bezerros mamando”? Foi lido, nas entrelinhas, que poderia se referir a vereadores, sobretudo os que já cumpriram outros mandatos na Casa.

Acredito que Daniel falou no sentido de que o prefeito deveria fazer essa limpeza na conjuntura política. Ele nunca se referiu a nenhum vereador, não falou isso sobre os vereadores. Mas eu discordo em um ponto do vice-governador em relação a essa fala, porque o prefeito não fez isso. Ele não “desmamou” essas pessoas. Eu até esperava que o prefeito fizesse dessa forma, como o vice-governador falou, mas ele não fez. Ele continua deixando lá os bezerrões mamando e colocando outros para mamar. Infelizmente, essa fala do vice-governador, eu queria que fosse verdade, mas infelizmente não é.

Vereadores do MDB foram base de sustentação do ex-prefeito Rogério Cruz, na época em divergência com a executiva estadual comandada por Daniel Vilela. Agora, o cenário é o contrário. O senhor acredita que possa haver alguma articulação de Daniel pró-Mabel?

Não tenho como falar do posicionamento do MDB em relação ao prefeito Rogério Cruz porque eu não fazia parte do partido à época. Mas em relação ao MDB hoje, é claro que o Sandro tem compromisso com o Daniel, tem compromisso com o governador Ronaldo Caiado. Mas nesse caso se trata de política e campanha. A minha atuação é muito mais focada na questão administrativa, com a qual eu não concordo. Aquilo que eu julgar correto,  vou elogiar, como já elogiei o programa Brilha Goiânia, que realmente tem feito reposição de lâmpadas necessária ao município. Mas aquilo que eu julgar errado, eu vou criticar. Infelizmente, o prefeito Sandro Mabel tem mais atitudes em que cabem críticas do que elogios. Eu tenho que falar da minha atuação, não da dos outros vereadores.

O prefeito Sandro Mabel afirmou na prestação de contas, na quinta-feira, que as falas dele contra vereadores, incluindo o senhor, foram involuntárias. O senhor se sente contemplado com esse pedido de desculpas?

Mesmo que ele não tenha citado meu nome no pedido de desculpas, acredito que ele possa até ter ficado envergonhado ali naquele contexto, eu aceito o pedido de desculpas. Foi uma fala muito infeliz, desde que eu nunca fiz nenhum tipo de ataque pessoal a ele. Todas as minhas críticas foram feitas de forma técnica, de forma respeitosa e sobre temas específicos. Ele me atacou pessoalmente por, acredito, não ter a capacidade de defender com argumentos técnicos aqueles pontos que eu estava criticando e trabalhando, como por exemplo, o meu projeto de revogação da Taxa de Limpeza Pública (TLP), da taxa do lixo. Eu aceito o pedido de desculpas dele, mesmo ele não tendo me citado nesse pedido, mas me citou na hora de fazer essa fala infeliz. Eu faço política olhando para a frente, acredito que o cidadão goianiense já vem sofrendo muito com uma gestão que poderia estar entregando muito e não está entregando. Temos que pensar de que forma vamos construir uma Goiânia melhor para todos e espero que o prefeito Sandro Mabel possa refletir mais sobre suas atitudes e, naquilo que ele discordar do meu posicionamento, que ele apresente os seus argumentos de forma técnica e responsável.

Para além destas polêmicas e ruídos na comunicação, como é que o senhor avalia a condução política do governo Sandro Mabel até aqui?

Para governar é preciso dialogar, e o prefeito não dialoga. O governo tem que dialogar, tem que fazer o convencimento político não só dos membros da sua base, mas dos membros independentes e da oposição. Espero que reflita e melhore, como já mostrou ao pedir desculpas na prestação de contas. Torço para que faça uma reviravolta na sua gestão e entregue à sociedade aquilo que prometeu e que eu acreditei quando votei nele.

O senhor acredita que tenha clima para aprovação da revogação da Taxa do Lixo em plenário de maneira definitiva?

Eu acho que sim. Está na Comissão de Finanças e cabe ao presidente, vereador Welton Lemos, e ao relator, Coronel Urzêda – que irá apresentar o seu relatório. E tenho convicção de que será favorável a essa revogação. E na prestação de contas do segundo quadrimestre, a Prefeitura nos deu bastante tranquilidade para poder fazer essa revogação. Ela mostrou que não existe calamidade financeira, o município está com superávit de quase R$ 700 milhões, o município tem fonte de custeio própria para manter a política de resíduos sólidos. A taxa do lixo hoje, como foi mostrado pela Prefeitura, não é necessária.

O prefeito tem dito que, caso haja revogação, ele vai buscar a responsabilização dos vereadores, porque a criação da taxa seria uma exigência do Marco Legal do Saneamento. Como o senhor vê essa tentativa de dividir a responsabilidade com o parlamento?

Mais uma fala dele sem o menor fundamento. Quero que ele aponte no marco legal, na Lei 14.026/2020, onde está essa obrigatoriedade. O artigo 29 desta lei determina que os serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos devem ter sustentabilidade econômico-financeira garantida, que pode ser preferencialmente por meio de tarifas, taxas ou outra forma de custeio. Por que ele não encara o artigo 29 da lei? Ele está colocando uma interpretação equivocada. E quanto à responsabilização, eu quero que ele comprove, que me mostre de onde ele tira essa fala, porque não tem lógica, não tem cabimento. A Lei de Responsabilidade Fiscal traz a responsabilidade do gestor, do ordenador de despesa. Duas falas que não têm o mínimo embasamento jurídico, são falas totalmente levianas, sem lastro na verdade. Eu não sei de onde ele está tirando isso.

Em sua avaliação, a Câmara tem conseguido manter independência frente às pressões do Paço?

Acredito que sim. Projetos como a revogação da TLP caminharam mesmo com posicionamento contrário. A CEI da Limpa Gyn foi instalada mesmo com pressão contrária. A Câmara tem conseguido manter sua independência, tem aprovado projetos que considera necessários.

O senhor foi um dos signatários da CEI da Limpa Gyn. Apesar de não fazer parte como membro titular, qual a sua avaliação sobre os trabalhos de apuração?

Eu não tenho acompanhado de perto os trabalhos da CEI da Limpa Gyn porque ainda estão no início, mas acho que tem muito a investigar. Eu defendo que quem não deve, não teme, quem não teme, não treme. Se o consórcio tem convicção de que está fazendo todo o serviço previsto em contrato de forma legal, moral, transparente e ética, não tem por que temer uma CEI. A população, porém, não está recebendo o serviço como deveria. É público e notório que os lixos continuam acumulando. Tem aí várias denúncias de que a Limpa Gyn pega entulho e coloca no caminhão apenas para pesar, porque ela recebe por tonelada. Se isso for verdade, é fraude no contrato. Se está sendo pago tudo corretamente e a cidade continua um caos, algo está errado. Tem que investigar, sim.

Alguns parlamentares cobram o governador Ronaldo Caiado devido ao apoio que ele afiançou a Sandro Mabel nas eleições. O senhor acredita que cabe ao governador intervir para recompor a relação entre Executivo e Legislativo na capital?

A relação entre Executivo e Legislativo municipal é responsabilidade do prefeito. O governador Ronaldo Caiado foi um grande cabo eleitoral do prefeito Sandro Mabel, que é do seu partido, União Brasil. Buscou em pesquisas qualitativas o perfil que o cidadão goianiense queria para a gestão e chegou ao nome do Sandro. O governador Caiado tem contribuído muito com a gestão, tem ajudado bastante o prefeito Mabel, mas o desempenho do prefeito é responsabilidade dele e não do governador. O Sandro tem que assumir as suas responsabilidades.

Como o senhor avalia a pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado ao Palácio do Planalto? Acredita que ele será candidato e com qual estrutura partidária?

Eu acredito que será candidato, e isso será muito bom para o país e para Goiás. O governador Caiado tem articulação, posicionamentos claros, ele vai conseguir angariar diversos apoios políticos, é uma candidatura que não divide o nosso país, ele sempre manteve diálogo com todas as frentes políticas, ideologias políticas. O governador tem feito grandes programas sociais importantes, como Aluguel Social e Mães de Goiás, arrumou as contas do estado com austeridade fiscal. É exatamente isso que o Brasil precisa hoje. Acredito, sim, que ele tem feito o papel dele e, ainda assim, é um caminho longo até as convenções. Ele está buscando esse convencimento e eu não tenho dúvida que ele será candidato e o projeto que quer levar para o Brasil ele já mostrou que dá certo em Goiás.

 

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